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Política

Lula é reeleito com mais de 64 milhões de votos, supera Flávio Bolsonaro e protagoniza virada histórica

Presidente conquistou o quarto mandato após terminar o primeiro turno atrás do adversário; força eleitoral no Nordeste e vitória apertada em Minas Gerais marcaram a disputa.

Por Redação Diário ParaleloAtualizado em 25 de outubro de 2026 às 21:444 min de leitura
Lula é reeleito com mais de 64 milhões de votos

O presidente Lula foi reeleito neste domingo, (25), para mais quatro anos à frente da Presidência da República. Em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista ultrapassou a marca de 64 milhões de votos, protagonizando uma virada histórica e garantindo seu quarto mandato como presidente do Brasil.

De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h36, com 99,90% das seções totalizadas, Lula contabilizava 64.144.599 votos, equivalentes a 51,76% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro somava 59.774.442 votos, ou 48,24%. A diferença era de 4.370.157 votos, aproximadamente 3,53 pontos percentuais.

O resultado representa uma importante recuperação política do presidente, que havia encerrado o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, atrás do candidato do Partido Liberal. Na ocasião, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, abrindo uma vantagem superior a 2,2 milhões de votos.

A reviravolta também estabelece um marco na história eleitoral brasileira: desde a implantação do atual sistema de dois turnos, nenhum candidato à Presidência havia conseguido vencer a eleição depois de terminar a primeira votação na segunda colocação.

Mais uma vez, o Nordeste demonstrou sua importância na definição do resultado presidencial. Lula venceu nos nove estados da região e conquistou vantagens expressivas, que contribuíram para neutralizar parte das vitórias de Flávio Bolsonaro em outras regiões do país.

O Piauí apresentou uma das maiores votações proporcionais do presidente, com aproximadamente 75,9% dos votos válidos. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral brasileiro, Lula alcançou cerca de 71,3%, somando mais de 6,4 milhões de votos.

A diferença na Bahia foi especialmente significativa: o petista abriu vantagem superior a 3,8 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, que obteve aproximadamente 28,7% da votação estadual.

Em Pernambuco, estado natal do presidente, Lula conquistou aproximadamente 69,2% dos votos, enquanto o adversário ficou com 30,8%. No Maranhão, a votação petista chegou a cerca de 69,5%. O Ceará também registrou ampla maioria favorável à reeleição.

O desempenho confirma a manutenção do Nordeste como principal reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores. A ampliação da votação petista em importantes estados nordestinos entre os dois turnos foi um dos elementos centrais para a reversão da desvantagem nacional.

Se a força do Nordeste já era esperada, uma das principais surpresas ocorreu em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e tradicionalmente considerado um estado estratégico nas disputas presidenciais.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente de Lula no estado, com aproximadamente 48,2% dos votos, contra 43,3% do petista.

Entretanto, no segundo turno, o cenário mudou. Com cerca de 98% das seções mineiras apuradas, Lula havia conquistado aproximadamente 50,35% dos votos válidos, contra 49,65% de Flávio Bolsonaro.

Embora a vantagem tenha sido pequena, a mudança na liderança mineira ganhou relevância política por demonstrar que Lula conseguiu ampliar seu apoio fora dos redutos tradicionais do PT.

Apesar da derrota nacional, Flávio Bolsonaro demonstrou expressiva capacidade eleitoral e consolidou a presença do bolsonarismo em diferentes regiões brasileiras.

Em Roraima, o senador recebeu 72,46% dos votos válidos, uma de suas maiores votações proporcionais. Em Rondônia, seu desempenho ficou próximo de 70%, enquanto Santa Catarina registrou aproximadamente 69,4% de apoio ao candidato do PL.

O Acre e Mato Grosso também figuraram entre os estados com maior preferência pelo senador, com votações superiores a 66%.

No Sudeste, Flávio Bolsonaro manteve a liderança em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, onde recebeu milhões de votos e superou Lula. O candidato também permaneceu à frente no Rio de Janeiro, seu estado de origem política.

A eleição de 2026 ficará marcada não apenas pelo resultado, mas pelas circunstâncias da disputa.

Lula iniciou o segundo turno pressionado pela derrota na primeira votação, enquanto Flávio Bolsonaro chegou à reta final fortalecido pela capacidade de reunir grande parcela do eleitorado conservador e de direita.

A campanha petista buscou ampliar a mobilização popular, intensificar sua presença nas redes sociais e reforçar o discurso de defesa de programas sociais. Já Flávio Bolsonaro concentrou sua estratégia nas críticas à administração federal e na defesa de uma mudança de governo.

A vitória representa uma demonstração da capacidade de recuperação eleitoral de Lula. Entretanto, os quase 60 milhões de votos recebidos pelo adversário indicam que o próximo mandato continuará marcado por uma profunda divisão política.

Reeleito aos 80 anos, Lula permanecerá no comando do Palácio do Planalto até janeiro de 2031, após tomar posse para o novo mandato em 5 de janeiro de 2027.

O presidente também supera sua própria votação de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro com pouco mais de 60,3 milhões de votos.

O desafio agora será transformar a vitória eleitoral em capacidade de governabilidade, estabelecer relações com o Congresso Nacional e responder às expectativas de uma sociedade que, mais uma vez, se dividiu entre dois projetos políticos distintos.

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