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Lula mente durante entrevista e diz que não sabia de rejuste no Bolsa Família em período eleitoral

Presidente alega desconhecimento sobre congelamento do benefício durante quase quatro anos, apesar de ministros já discutirem o assunto desde 2025; reajuste foi anunciado apenas 17 dias antes das eleições.

Por Redação Diário ParaleloAtualizado em 16 de outubro de 2026 às 10:503 min de leitura
Líder petista em entrevista ao Jornal Nacional.

O presidente Lula protagonizou uma declaração controversa na noite dessa quinta-feira (15), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Ao ser questionado sobre o reajuste do Bolsa Família anunciado às vésperas das eleições, Lula afirmou que desconhecia o fato de o principal programa social de seu governo estar sem correção inflacionária desde 2023. A justificativa, entretanto, contrasta com declarações anteriores de integrantes do próprio governo federal e levanta questionamentos sobre a credibilidade da versão apresentada pelo presidente.

Durante a entrevista, Lula demonstrou indignação com a ausência de reajustes e afirmou ter repreendido seus ministros depois de descobrir a situação.

"Eu não sabia", declarou o presidente, classificando como inexplicável a ausência de correção dos benefícios em seu governo.

A explicação, no entanto, apresenta uma contradição difícil de ignorar. Afinal, como o presidente da República, que transformou o Bolsa Família em uma das principais bandeiras de sua trajetória política, poderia passar quase quatro anos sem saber que os valores do programa não acompanhavam a inflação?

A alegação de desconhecimento ganha contornos ainda mais controversos quando confrontada com o histórico de declarações oficiais.

Em fevereiro de 2025, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou, em entrevista, que a possibilidade de reajustar o Bolsa Família estava em discussão diante da elevação dos preços dos alimentos.

Na ocasião, a declaração provocou repercussão e levou o próprio governo federal a negar que houvesse estudos ou decisões em andamento para aumentar os benefícios.

Em maio daquele mesmo ano, o Ministério do Desenvolvimento Social voltou a informar publicamente que não existia previsão de reajuste.

Portanto, a ausência de correção dos valores não era uma informação desconhecida dentro da administração federal. Pelo contrário: o assunto já havia sido discutido, negado e esclarecido publicamente por integrantes do primeiro escalão do governo.

Isso não comprova que Lula tenha sido pessoalmente informado, mas torna sua alegação de desconhecimento uma explicação que exige esclarecimentos mais consistentes.

Outro elemento que coloca em dúvida a narrativa presidencial é a proposta do Orçamento de 2027, encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional em 31 de agosto de 2026.

O documento não previa reajuste nos valores do Bolsa Família para o ano seguinte, mantendo o benefício mínimo de R$ 600.

Menos de três semanas depois, em 17 de setembro, o governo anunciou uma correção de 15,04%, elevando o pagamento mínimo para R$ 691.

A medida foi anunciada apenas 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

A coincidência entre o calendário eleitoral e a decisão de reajustar um dos programas sociais mais importantes do país também alimenta questionamentos sobre a motivação política da medida.

Questionado sobre esse aspecto, Lula negou que o aumento tivesse finalidade eleitoral e sustentou que determinou a correção assim que tomou conhecimento da defasagem.

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