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Justiça baiana impede Câmara de Salvador de homenagear Flávio Bolsonaro durante ato de campanha no Farol da Barra

Decisão aponta risco de uso político da estrutura pública, questiona gastos com solenidade e prevê multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

Por Redação Diário ParaleloAtualizado em 17 de outubro de 2026 às 15:243 min de leitura
Justiça baiana barra homenagem ao senador Flávio Bolsonaro

A Justiça da Bahia determinou a suspensão da cerimônia de entrega do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), prevista para este sábado (17), no Farol da Barra, em Salvador. A homenagem aconteceria durante um ato de campanha do presidenciável, em meio à disputa do segundo turno das eleições de 2026.

A decisão foi proferida na sexta-feira, (16), pela juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, que também impediu a transferência temporária da sede da Câmara Municipal para o local do evento. Em caso de descumprimento injustificado, foi estabelecida multa de R$ 500 mil.

A magistrada considerou que a realização de uma homenagem oficial durante um evento eleitoral poderia comprometer os princípios da moralidade, impessoalidade e razoabilidade na administração pública, transformando uma solenidade institucional em instrumento de promoção política de um candidato à Presidência.

Outro ponto destacado na decisão foi o possível impacto financeiro da iniciativa. A transferência da estrutura legislativa para o Farol da Barra exigiria mobilização extraordinária de servidores, segurança, cerimonial e equipamentos, provocando despesas consideradas desproporcionais e desnecessárias pela Justiça.

A concessão do título foi aprovada pela Câmara Municipal de Salvador em maio deste ano, por meio de proposta apresentada pela Mesa Diretora, com apoio do vereador Cezar Leite (PL).

O reconhecimento, tradicionalmente destinado a personalidades nascidas fora de Salvador que tenham prestado serviços relevantes ao município, foi contestado pelos dez vereadores da bancada de oposição, que votaram contra a homenagem.

Os parlamentares questionaram a ausência de contribuições concretas do senador à capital baiana que justificassem a concessão da honraria.

Já os defensores da homenagem argumentaram que a trajetória política de Flávio Bolsonaro e sua atuação em pautas como segurança pública e desenvolvimento econômico justificariam o reconhecimento.

A polêmica ganhou novos contornos com a decisão de realizar a entrega durante um ato de campanha presidencial, deslocando temporariamente a sede do Legislativo para um dos principais pontos turísticos da cidade.

Após a decisão, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), confirmou que a instituição cumpriria a ordem judicial.

Apesar da suspensão, a concessão do título não foi revogada. A determinação impede a realização da cerimônia durante o processo eleitoral, permitindo que a entrega seja reagendada para depois das eleições.

O vereador Cezar Leite criticou a medida e anunciou a intenção de recorrer, por considerar que a decisão representa uma interferência na autonomia do Poder Legislativo.

O episódio acrescenta um novo capítulo à disputa presidencial na Bahia, onde Flávio Bolsonaro tenta ampliar sua presença eleitoral e conquistar apoio em um estado historicamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ato político previsto para o Farol da Barra não foi proibido pela decisão. A restrição judicial alcança a participação institucional da Câmara na cerimônia de entrega da honraria, preservando a distinção entre uma atividade de campanha e o uso da estrutura pública para homenagear um candidato.

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