Política
Lula chama Flávio Bolsonaro de miliciano e diz que está cansado de ver ladrões acusando gente honesta
Presidente petista voltou a cobrar transparência do adversário após confronto na Band, em que os dois candidatos trocaram acusações de corrupção envolvendo até seus próprios familiares

O presidente Lula voltou a desafiar, nesta segunda-feira (19), o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir seus sigilos bancários e telefônicos para que sejam investigadas eventuais irregularidades envolvendo o patrimônio dos dois candidatos à Presidência da República. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais, após o primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, realizado na noite desse domingo (18), pela Band.
O confronto entre os presidenciáveis foi marcado por acusações mútuas de corrupção, ataques pessoais e questionamentos que envolveram até familiares dos dois candidatos. Em diversos momentos, o embate deixou em segundo plano a apresentação de propostas para o país, evidenciando o clima de tensão na disputa pelo Palácio do Planalto.
No vídeo publicado nesta segunda-feira, Lula afirmou estar cansado de acusações de corrupção sem a apresentação de provas e defendeu que os candidatos autorizem o acesso a informações financeiras e telefônicas para esclarecer as suspeitas levantadas durante a campanha eleitoral.
"Estou cansado de ver ladrões e milicianos acusando gente honesta", declarou o presidente, ao justificar o desafio feito ao adversário.
O petista afirmou que está disposto a preparar autorizações para a abertura de seus próprios dados bancários e dos filhos, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo, incluindo informações do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros integrantes da família.
Lula também questionou a origem dos recursos utilizados pelo senador na aquisição de um imóvel de alto valor. O presidente insinuou que o patrimônio do adversário merece esclarecimentos, especialmente diante da remuneração recebida por ocupantes de cargos públicos. A declaração, entretanto, não comprova a existência de irregularidade na aquisição.
Durante o debate de domingo, Flávio Bolsonaro dirigiu críticas ao governo petista e levantou suspeitas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. O senador também mencionou investigações e denúncias de corrupção para questionar a atuação do PT e de integrantes do governo.
Lula, por sua vez, cobrou explicações de Flávio sobre episódios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, além de questionar relações políticas e financeiras do adversário e de integrantes da família Bolsonaro.
As declarações provocaram uma sequência de ataques e respostas, com ambos tentando associar seus adversários a supostos esquemas de corrupção. As acusações apresentadas no debate, contudo, não devem ser confundidas com comprovação judicial de responsabilidade pelos fatos mencionados.
Ao ser confrontado durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que não tem nada a esconder e declarou que seus bens estão informados à Receita Federal. O senador também acusou Lula de supostamente movimentar recursos financeiros fora das contas bancárias oficiais, sem apresentar comprovação durante o confronto.
Apesar da resposta, Flávio não confirmou expressamente que aceitaria abrir seus sigilos bancários e telefônicos nos termos propostos pelo presidente.
Nesta segunda-feira, Lula intensificou a cobrança e estabeleceu o prazo de uma semana para que o adversário se manifeste sobre o desafio, antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.
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