Segundo especialistas em economia e opositores do Planalto, a administração federal recorreu a numerosas alterações tributárias desde 2023, incluindo a tentativa de elevar impostos por meio de decretos e propostas legislativas, para ampliar a arrecadação. Em 2025, a agenda tributária do governo incluiu medidas que buscaram aumentar a cobrança sobre operações financeiras e outros setores, embora parte delas tenha sido rejeitada pelo Congresso Nacional e pela sociedade civil.
Críticos ressaltam que, em vez de reduzir a máquina estatal e cortar gastos discricionários, o governo preferiu reforçar a arrecadação. Uma reportagem recente destacou que o Executivo tem buscado “elevar impostos em vez de cortar gastos”, em meio ao desequilíbrio das contas públicas e à necessidade de financiar programas sociais e outras políticas públicas.
Para 2026, a estratégia tributária do governo inclui medidas como a expansão da base tributária e mudanças em alíquotas de tributos sobre consumo e serviços, além de ajustes no Imposto de Renda que alteram faixas de isenção e regras de arrecadação. Enquanto o governo afirma que tais mudanças visam promover “justiça tributária” e reduzir privilégios de setores específicos, críticos acreditam que o peso dos tributos acabará recaindo sobre trabalhadores formais, autônomos e pequenos empreendedores.
Organizações de defesa das classes trabalhadoras e sindicatos alertam que os aumentos tributários e a complexificação do sistema podem pressionar ainda mais os trabalhadores com remuneração em torno de um salário mínimo, que já enfrentam dificuldades para manter o custo de vida básico. Segundo esses analistas, o aumento de tributos sobre consumo e serviços tem efeito regressivo, pois consome uma parcela maior da renda de quem ganha menos. Pesquisas acadêmicas indicam que sistemas tributários baseados em consumo tendem a ser regressivos, onerando proporcionalmente mais os indivíduos de menor renda.
Líderes de setores produtivos e representantes de empregadores também criticam as prioridades fiscais do governo. Alegam que a carga tributária elevada e a rigidez do sistema dificultam a geração de empregos formais e reduzem a competitividade do setor privado, pressionando empresas e empreendedores a repassar custos ao consumidor e ao trabalhador. Ao mesmo tempo, avisos de que as contas públicas podem enfrentar pressões adicionais se os gastos continuarem a crescer geram apreensão entre economistas independentes.
O governo federal enfatiza que a elevação de receitas tributárias é necessária para manter programas sociais como o Bolsa Família e outras iniciativas de inclusão produtiva e transferência de renda. Em sua narrativa, a chamada “justiça tributária” — a ideia de que os mais ricos devem contribuir mais — é central para financiar políticas que reduziram índices de pobreza e desigualdade nos últimos anos.
O Ministério da Fazenda também destaca avanços em reformas tributárias que, segundo autoridades, devem simplificar o sistema e, no longo prazo, impulsionar o desempenho econômico ao estimular investimentos e desonerar determinados setores.
Apesar dos argumentos favoráveis, economistas independentes e críticos políticos alertam para os riscos de um modelo que privilegia aumentos tributários enquanto os gastos públicos continuam elevados. Artigos especializados e comentaristas apontam que a necessidade de “terapia de choque” nas contas públicas poderá ser um desafio para qualquer governo que assumir após 2026, uma vez que a dívida pública e os compromissos fiscais continuam sob pressão.
Além disso, parlamentares de oposição já conseguiram barrar propostas de aumentos tributários no Congresso, gerando tensão entre Executivo e Legislativo sobre prioridades fiscais e o tamanho do Estado.

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