Durante agenda oficial realizada nessa sexta-feira (30), no município de Gandu, no Baixo Sul da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que o valor de R$ 1 mil pago pela arroba do cacau no período de forte alta do produto não refletia a realidade do mercado. A declaração gerou repercussão entre produtores e comerciantes da região, que celebraram o preço recorde à época.
Segundo o governador, o valor praticado naquele momento era artificial e não poderia se sustentar ao longo do tempo. “Aquilo estava errado. Quem acreditou que o preço ia se manter daquele jeito acabou se iludindo”, afirmou Jerônimo, ao comentar a escalada e a posterior queda no valor do cacau.
Ainda de acordo com o chefe do Executivo baiano, havia “alguma coisa errada” no comportamento do mercado, indicando que a valorização extrema não estava baseada em fundamentos sólidos da cadeia produtiva. Jerônimo também criticou os preços atuais praticados em algumas regiões, classificando como “muito falsa” a referência de valores abaixo de R$ 220 por arroba.
Na avaliação do governador, as grandes empresas internacionais têm papel central nas oscilações do preço do cacau, influenciando diretamente o mercado e impactando os produtores locais. “Existe uma interferência muito forte dessas empresas, que acabam determinando esses movimentos bruscos, para cima e para baixo”, disse.
A fala ocorre em um momento de forte insatisfação entre cacauicultores do sul e do baixo sul da Bahia, que têm promovido manifestações em defesa de preços mais justos e maior valorização do produto. O cacau é uma das principais bases da economia regional, movimentando milhares de empregos diretos e indiretos.
Produtores presentes na agenda acompanharam a declaração com cautela, enquanto o debate sobre a formação de preços, a atuação do mercado internacional e a necessidade de políticas públicas para proteção da cadeia produtiva segue ganhando força no estado.

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