Economia
Após reeleições de Lula e Jerônimo, gás de cozinha tem maior aumento desde 2021 na Bahia
Em um dos principais redutos eleitorais do PT, reajuste de 17,5% pode deixar botijão até R$ 15 mais caro e pressiona orçamento das famílias baianas

O gás de cozinha ficou mais caro na Bahia justamente após um período marcado pelas vitórias eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Uma semana depois da reeleição do presidente Lula e quatro semanas após a vitória do governador Jerônimo Rodrigues, os consumidores baianos foram surpreendidos com um reajuste de 17,5% no valor do gás liquefeito de petróleo (GLP) vendido às distribuidoras. O aumento, que entrou em vigor no último domingo (1º), é o maior registrado desde dezembro de 2021.
A elevação deve representar um acréscimo de R$ 12 a R$ 15 no preço do botijão de 13 quilos, produto considerado essencial para milhões de famílias. A informação foi confirmada por Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas).
O aumento acontece em um momento politicamente significativo. A Bahia, historicamente consolidada como um dos principais redutos eleitorais do PT no Brasil, acaba de garantir mais um mandato ao governador Jerônimo Rodrigues, reeleito no primeiro turno das eleições de 4 de outubro, com aproximadamente 55,8% dos votos válidos.
No cenário nacional, o presidente Lula também conquistou a reeleição no segundo turno, realizado em 25 de outubro. No estado baiano, o petista obteve mais de 71% dos votos válidos, reforçando a expressiva presença eleitoral do partido no estado.
O aumento de novembro é o maior registrado desde que a Acelen assumiu a operação da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, privatizada em dezembro de 2021, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pelo setor de revenda, o GLP passou por diversas oscilações ao longo de 2026. Em abril, houve um aumento de 15,2%, seguido de outra alta de 9,59% em junho. Depois de reduções registradas em julho e agosto, os preços voltaram a subir aproximadamente 9% em outubro.
Agora, em novembro, o novo reajuste de 17,5% supera todas as elevações anteriores registradas desde a mudança de controle da refinaria.
Na prática, o impacto será sentido principalmente pelas famílias de menor renda, para as quais a compra do botijão representa uma despesa indispensável e significativa no orçamento mensal.
Em nota, a Acelen informou que o preço da tonelada do GLP comercializado com as distribuidoras passou de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90.
A empresa justificou a atualização afirmando que sua política de preços considera fatores como a cotação internacional do petróleo, a variação cambial e os custos de frete.
Segundo a companhia, os valores podem sofrer aumentos ou reduções conforme as condições do mercado internacional.
A justificativa evidencia que os preços praticados pela refinaria seguem critérios comerciais próprios, embora a alta também levante discussões sobre o custo dos combustíveis e a capacidade de proteção do poder de compra da população.
O reajuste ocorre em um estado onde o Partido dos Trabalhadores mantém forte presença política e eleitoral. Desde 2007, a Bahia é governada por representantes do PT, sequência que agora terá continuidade com a reeleição de Jerônimo Rodrigues.
Nas eleições presidenciais, o eleitorado baiano também voltou a demonstrar apoio expressivo a Lula, contribuindo significativamente para sua vitória nacional.
Entretanto, enquanto o cenário político aponta para a continuidade administrativa, o aumento do gás representa uma nova pressão econômica sobre a população, especialmente sobre trabalhadores, aposentados e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Embora não exista evidência de relação direta entre os resultados das eleições e a decisão comercial da Acelen, a proximidade dos acontecimentos coloca novamente em evidência o debate sobre o custo de vida e as medidas que podem ser adotadas pelo poder público para reduzir os efeitos das altas de preços.
Para o consumidor baiano, independentemente das preferências políticas, a consequência mais imediata será percebida na próxima compra: o gás de cozinha ficará mais caro, comprometendo uma parcela ainda maior do orçamento doméstico.
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