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Educação · Gandu

APLB repudia declarações de Big Lobo sobre professores e estudantes em Gandu e questiona postura do empresário, que também é professor

Sindicato afirma que declarações feitas após manifestações políticas de jovens colocam em dúvida a ética de educadores e reforçam preconceitos contra estudantes; entidade destaca experiência de Big Lobo na educação pública.

Por Redação Diário ParaleloAtualizado em 28 de outubro de 2026 às 15:383 min de leitura
APLB emite nota de repúdio contra Big Lobo

A Delegacia Sindical Cacau Norte da APLB-Sindicato, em Gandu, divulgou nessa terça-feira, (27), uma nota de repúdio contra declarações do empresário, professor e ex-candidato a deputado estadual Abdenardo Lobo, conhecido como Big Lobo. A manifestação ocorreu após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que ele questiona o comportamento de professores diante das preferências políticas de estudantes.

O vídeo, intitulado “O certo virou errado e o errado virou o certo”, foi publicado no Instagram em 22 de outubro, data em que, segundo a entidade sindical, ocorreram manifestações políticas envolvendo jovens e estudantes no município.

De acordo com a APLB, Big Lobo teria afirmado que professores estariam passando a valorizar estudantes anteriormente criticados por problemas disciplinares simplesmente porque esses alunos manifestaram apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Na interpretação apresentada pelo sindicato, o empresário estabeleceu uma comparação entre estudantes considerados indisciplinados, mas alinhados politicamente ao PT, e alunos reconhecidos pelo bom desempenho escolar, que supostamente estariam sendo desvalorizados por defenderem posições políticas contrárias ao partido.

A entidade rejeitou essa narrativa e afirmou que as declarações generalizam suspeitas sobre a atuação dos profissionais da educação, além de reforçarem estigmas contra estudantes.

Um dos pontos mais contundentes da nota diz respeito à trajetória profissional do próprio Big Lobo. Embora conhecido pela atuação empresarial e participação na política regional, ele também é professor e possui experiência na educação pública.

A APLB destacou que o empresário já exerceu a docência nas redes municipal e estadual de ensino e considerou especialmente preocupante que declarações dessa natureza tenham partido de alguém com vivência em sala de aula.

Para a entidade, a experiência profissional deveria proporcionar maior compreensão sobre os desafios enfrentados pelos educadores, especialmente diante das diferentes realidades sociais, familiares e emocionais dos estudantes.

O sindicato sustenta que problemas disciplinares não podem ser interpretados exclusivamente por meio de julgamentos individuais, uma vez que fatores como vulnerabilidade social, conflitos familiares, dificuldades de aprendizagem e exposição à violência também podem influenciar o comportamento de crianças e adolescentes.

A manifestação sindical defende que nenhuma dificuldade comportamental justifica a humilhação, a discriminação ou a desvalorização dos estudantes.

Outro ponto central da nota é a defesa da imparcialidade no tratamento dos estudantes, independentemente de suas posições políticas.

A entidade considera inadequada qualquer tentativa de associar a conduta ética de professores às escolhas eleitorais dos alunos, argumentando que o respeito e o acesso à educação não podem depender de alinhamento partidário.

"Professor não escolhe quem merece respeito pelo voto que exerce", afirma a APLB em um dos trechos do comunicado.

O sindicato também ressalta que o ambiente escolar deve ser um espaço de pluralidade, convivência democrática e respeito às diferenças, não sendo admissível estabelecer distinções entre estudantes por suas preferências políticas.

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