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Justiça absolve homem que confessou matar três mulheres em Ilhéus por falta de provas

Decisão aponta falhas na investigação e ausência de provas técnicas contra o acusado; Ministério Público recorreu da sentença e homem continua preso por outro crime.

Por Redação Diário ParaleloAtualizado em 04 de novembro de 2026 às 08:533 min de leitura
Acusado de triplo homícidio em Ilhéus é absolvido

A Justiça da Bahia absolveu Thierry Lima da Silva, acusado de assassinar três mulheres na Praia dos Milionários, em Ilhéus, no sul do estado. A decisão chama a atenção porque, segundo a Polícia Civil, o homem havia confessado a autoria dos crimes durante as investigações. Apesar disso, a Justiça concluiu que as provas reunidas não eram suficientes para sustentar uma condenação.

A sentença foi proferida no dia 8 de outubro pela juíza Emanuele Vita Leite Armede, da 1ª Vara Criminal de Ilhéus, mas à decisão se tornou pública nessa terça-feira (3).

As vítimas foram as professoras Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, e Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, além da estudante universitária Mariana Bastos da Silva, de 20 anos, filha de Maria Helena.

As três desapareceram no dia 15 de agosto de 2025, depois de saírem para caminhar na praia. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, em uma área de vegetação nas proximidades da Praia dos Milionários, apresentando diversos ferimentos provocados por arma branca.

Durante a investigação, Thierry foi apontado pela Polícia Civil como responsável pelas três mortes. Conforme informações divulgadas na época, ele teria confessado que agiu sozinho durante uma tentativa de assalto.

Entretanto, a versão apresentada durante o inquérito não encontrou sustentação suficiente nas provas analisadas pela Justiça.

Segundo a sentença, parte das declarações atribuídas ao acusado ocorreu em conversas informais com policiais, sem registro oficial. Já o interrogatório realizado formalmente na delegacia foi considerado um elemento de informação que, isoladamente, não poderia fundamentar uma condenação.

Durante o processo judicial, Thierry negou ter confessado os assassinatos.

Outro ponto considerado pela magistrada foi a falta de comprovação da participação do acusado por meio de exames periciais.

Os laudos do Departamento de Polícia Técnica não identificaram material genético de Thierry que estabelecesse uma ligação direta com as vítimas ou com os instrumentos apreendidos e examinados durante a investigação.

A ausência de testemunhas presenciais e de imagens que comprovassem sua presença no momento dos assassinatos também pesou na decisão.

A sentença também apontou irregularidades no procedimento de reconhecimento fotográfico utilizado durante a investigação.

Uma das testemunhas já havia visto uma fotografia do suspeito divulgada pela imprensa antes de comparecer à delegacia. Além disso, o reconhecimento foi realizado sem a apresentação de imagens de outras pessoas para comparação.

A Justiça considerou que o procedimento não respeitou as exigências legais e, por isso, não poderia servir como prova válida para sustentar a condenação.

Outro elemento que chamou a atenção foi a identificação de um perfil genético masculino ainda não esclarecido em uma peça encontrada junto aos corpos das vítimas.

Diante dessas circunstâncias, a magistrada concluiu que os elementos apresentados pela acusação não comprovavam, com a segurança exigida pela legislação, que Thierry fosse o responsável pelas mortes.

A absolvição foi fundamentada no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, que determina a absolvição quando não existem provas suficientes para condenar o acusado.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), responsável pela denúncia, não concordou com a sentença e apresentou recurso cinco dias depois da decisão, buscando reverter a absolvição.

Embora a Justiça tenha determinado a revogação da prisão preventiva relacionada ao caso das três mulheres, Thierry não foi colocado em liberdade.

Ele permanece custodiado no Conjunto Penal de Itabuna em razão de outra prisão preventiva, relacionada à morte de Lucas dos Santos Nascimento, seu companheiro.

Nesse segundo caso, Thierry também é investigado por homicídio. Segundo informações divulgadas durante as investigações, a morte teria ocorrido após uma agressão motivada por ciúmes.

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