Política
Lula diz que Lulinha pagará “preço muito alto” se estiver envolvido no caso do INSS
Durante transmissão ao vivo, presidente afirmou que o filho será responsabilizado caso as suspeitas sejam confirmadas e, na sequência, direcionou críticas a Flávio Bolsonaro

O presidente Lula afirmou, nesse domingo (13), que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deverá enfrentar consequências severas caso seja comprovado algum envolvimento dele nas irregularidades investigadas a partir do escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo direcionada a militantes e influenciadores petistas. Ao mencionar as acusações que atingem seu filho, Lula afirmou: “Se meu filho tiver metido, ele vai pagar um preço muito alto”.
Antes da declaração, o presidente disse que seu governo desarticulou o esquema responsável pelos descontos indevidos em aposentadorias e pensões, promoveu prisões e iniciou o ressarcimento das vítimas. Em seguida, Lula reagiu às acusações contra Lulinha e direcionou o discurso ao seu principal adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro.
O petista afirmou que uma empresa ligada a Flávio divide endereço com companhias associadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A referência seria à Bravo Grafeno, empresa relacionada ao senador. O compartilhamento do endereço, isoladamente, não comprova participação no esquema. O PT apresentou pedido para que a relação seja investigada. Segundo o UOL, o endereço também é utilizado por empresas vinculadas a Camilo Antunes.
Fábio Luís é investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência dentro do governo federal, incluindo uma possível atuação em negócios de medicamentos à base de cannabis no Ministério da Saúde, tratativas relacionadas à Dataprev e eventual favorecimento de empresas parceiras.
As investigações surgiram a partir da relação de Lulinha com o “Careca do INSS”. A defesa do filho do presidente confirmou que os dois viajaram a Portugal para conhecer um negócio de cannabis medicinal, mas negou qualquer irregularidade.
Apesar dessa relação, as informações disponíveis até o momento não apontam participação direta de Lulinha nos descontos associativos fraudulentos aplicados contra aposentados. A Polícia Federal separou essa linha das investigações e abriu procedimentos autônomos para apurar possíveis atos de tráfico de influência. Um relatório interno da PF, classificado pela própria corporação como sem valor probatório, registrou não haver indícios de envolvimento direto dele nas fraudes dos descontos.
A CPMI do INSS chegou a analisar uma proposta de indiciamento de Fábio Luís. Entretanto, o parecer foi rejeitado por 19 votos a 12 e a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final, conforme informou a Agência Senado.
A defesa de Lulinha nega as acusações e sustenta que existe exploração eleitoral das investigações. Até o momento, não há condenação contra o empresário relacionada a esses fatos.
Politicamente, Lula procurou transmitir a mensagem de que não oferecerá proteção ao filho caso sejam encontradas provas. Ao mesmo tempo, utilizou o episódio para atacar Flávio Bolsonaro e tentar transferir para o adversário parte da pressão provocada pelo escândalo. A declaração ocorre na reta final da campanha presidencial, quando as investigações envolvendo Lulinha passaram a ser exploradas com maior intensidade pela oposição.
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