O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá tomar, nas próximas semanas, decisões estratégicas consideradas cruciais para o futuro do partido nas disputas estaduais da Bahia e do Ceará. Os dois estados, historicamente alinhados ao petismo, passaram a integrar o radar máximo do Planalto diante do avanço consistente de candidaturas da oposição, que ameaçam a hegemonia do PT no Nordeste — região decisiva para qualquer projeto presidencial em 2026.
Na Bahia, o cenário ainda é tratado com cautela, mas já exige planos alternativos. Mesmo após confirmar sua pré-candidatura ao Senado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), foi escalado pelo próprio Lula como uma espécie de “plano B” para a sucessão estadual. A avaliação no Palácio do Planalto é de que, se o quadro eleitoral se deteriorar, Rui poderá ser convocado a entrar na disputa pelo governo como forma de evitar uma derrota com forte impacto nacional.
O desenho original prevê Rui Costa como candidato a uma vaga no Senado. Nos bastidores, porém, aliados reconhecem que o ex-governador baiano nutre ambições mais amplas. Rui deseja consolidar seu nome como uma das principais lideranças nacionais do partido no pós-Lula e não esconde o interesse em ser lembrado, no futuro, como presidenciável. Dentro dessa lógica, atender a um chamado do presidente para disputar o governo da Bahia seria visto como um movimento estratégico, ainda que arriscado.
As decisões fazem parte de um processo mais amplo. Um grupo de trabalho montado pela direção nacional do PT está finalizando um diagnóstico detalhado sobre o cenário eleitoral nos principais colégios do país. O relatório deve ser concluído nas próximas semanas e, como de costume, será submetido diretamente a Lula, que concentrará a palavra final sobre as estratégias e os nomes a serem lançados.
Embora a Bahia demande atenção, o caso considerado mais delicado é o do Ceará. No estado, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) lidera as pesquisas de intenção de voto e aparece como uma ameaça real ao projeto de reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT). Levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas aponta que, em um eventual segundo turno, Ciro venceria Elmano com uma vantagem de 15 pontos percentuais. No cenário de primeiro turno, a dianteira do ex-governador já é de cerca de 10 pontos.
O alerta é ainda maior pelo peso político do Ceará. Terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste e o oitavo do país, o estado elegeu governadores petistas de forma consecutiva nos últimos doze anos, tornando-se um dos principais símbolos da força do partido na região. Uma derrota ali teria efeito simbólico e prático, sinalizando enfraquecimento do PT justamente em sua base eleitoral mais fiel.
No entorno de Lula, a avaliação é direta: qualquer retrocesso no Nordeste pode ser fatal para a estratégia do presidente de buscar a reeleição em 2026 ou, ao menos, garantir protagonismo na definição de seu sucessor. Por isso, Bahia e Ceará passaram a ser tratados como prioridades absolutas, com decisões que ultrapassam interesses locais e passam a integrar o núcleo duro do projeto nacional do lulismo.

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