O secretário da Casa Civil do Governo da Bahia, Afonso Florence, afirmou, em artigo publicado nesta segunda-feira (23), que a Ponte Salvador-Itaparica é um “projeto de sucesso” e um sonho antigo da sociedade baiana. A declaração reacende o debate em torno de uma das obras mais anunciadas das últimas décadas no estado, que segue sem sair do papel.
No texto, o secretário destacou que o empreendimento foi prometido ainda na gestão do então governador Jacques Wagner, atravessou o governo de Rui Costa e permanece como compromisso da atual administração, comandada por Jerônimo Rodrigues — o terceiro governador consecutivo do PT à frente do Palácio de Ondina.
Florence classificou a ponte como estratégica para o desenvolvimento econômico da Bahia, com potencial de integração regional, geração de empregos e fortalecimento do turismo e da logística entre a capital e a Ilha de Itaparica. Segundo ele, trata-se de um projeto estruturante que simboliza um desejo histórico da população.
Ao abordar os sucessivos adiamentos, o secretário atribuiu o atraso principalmente aos impactos da pandemia de Covid-19. De acordo com Florence, a crise sanitária global teria inviabilizado o início das obras no cronograma originalmente previsto, afetando cadeias produtivas, financiamentos e a dinâmica econômica internacional.
O contrato original, firmado em 2020, previa um investimento estimado em R$ 7,4 bilhões. Já em 2025, o valor atualizado do projeto saltou para R$ 10,6 bilhões — um aumento superior a R$ 3 bilhões em cinco anos, em meio a revisões contratuais e reequilíbrios econômicos.
Apesar da defesa enfática do projeto, o próprio governador Jerônimo Rodrigues já admitiu, em entrevista recente, que a ponte não será entregue durante sua gestão. A previsão atual do governo estadual é de conclusão apenas em 2030, caso o cronograma seja efetivamente cumprido.
A declaração reforça a percepção de que o projeto, anunciado como prioridade estratégica há mais de uma década, segue enfrentando entraves administrativos, financeiros e operacionais.
Enquanto o governo sustenta que a ponte representa um marco de modernização para a infraestrutura baiana, críticos apontam o longo histórico de promessas não concretizadas e o aumento expressivo dos custos como fatores que colocam em xeque a condução do empreendimento.
A Ponte Salvador-Itaparica permanece, assim, no centro do debate político e econômico da Bahia — entre a promessa de transformação estrutural e o desafio de sair do papel após décadas de expectativa.

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