Quase duas décadas após as primeiras promessas de construção, a ponte Salvador–Itaparica segue cercada de incertezas. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a demonstrar dúvidas sobre a viabilidade do projeto ao ser questionado por uma jornalista durante entrevista concedida na última segunda-feira (29), na sede do Governo do Estado, em Salvador.
Indagado se acredita que a obra finalmente sairá do papel, Jerônimo evitou uma resposta objetiva e afirmou apenas que “queria muito” que a ponte acontecesse. Na sequência, o governador dividiu a responsabilidade pela execução do empreendimento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao afirmar que o chefe do Executivo nacional teria colocado “carimbo” e “orçamento” no projeto.
Segundo Jerônimo Rodrigues, a ponte deixou de ser uma obra exclusivamente do Estado da Bahia e passou a ser tratada como um empreendimento de caráter nacional. “Não é mais uma obra apenas do governo da Bahia”, afirmou, ao relembrar que o projeto foi iniciado ainda na gestão do então governador Jacques Wagner e retomado posteriormente durante o governo de Rui Costa, ambos do PT.
A declaração do atual governador reforça, mais uma vez, o clima de indefinição em torno da chamada Ponte Salvador–Itaparica, cuja promessa de construção completa quase 20 anos sem qualquer concretização. Ao longo desse período, o projeto já consumiu milhões de reais dos cofres públicos baianos, especialmente em estudos, projetos, licitações e contratos, sem que a obra efetivamente tenha sido iniciada.
Desde o anúncio inicial, a ponte é apresentada pelos sucessivos governos petistas como uma solução estratégica para o desenvolvimento econômico do Recôncavo Baiano e do sul do estado. No entanto, o empreendimento segue sendo alvo recorrente de anúncios, prazos adiados e novas justificativas, tornando-se símbolo de uma das promessas mais duradouras — e controversas — da política baiana recente.
Com a mais recente fala de Jerônimo Rodrigues, a expectativa em torno da obra volta a ser postergada, consolidando a percepção de que, apesar dos discursos e investimentos já realizados, a ponte Salvador–Itaparica permanece, por ora, apenas no campo das intenções.

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