O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu, nesta quinta-feira (5), preocupação com o envolvimento de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo da fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em declaração pública, o petista afirmou que chamou o filho para uma conversa no Palácio do Planalto após a divulgação de reportagens que ligam o nome de Lulinha ao esquema investigado.
Segundo Lula, o diálogo foi direto e sem espaço para condescendência. O presidente relatou que deixou claro ao filho que, caso houvesse qualquer tipo de envolvimento nos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, ele deveria “pagar o preço”. Por outro lado, se fosse inocente, teria o dever de se defender publicamente.
“Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda”, afirmou Lula.
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Durante a fala, o presidente também relembrou o período em que foi preso após condenações posteriormente anuladas e destacou que optou por permanecer no Brasil para enfrentar as acusações. Segundo ele, essa postura deveria servir de referência para qualquer cidadão citado em investigações, inclusive seus familiares.
“Eu decidi ficar no Brasil para me defender”, disse o petista, ao reforçar que não aceita tratamento diferenciado em casos de suspeita envolvendo pessoas próximas.
Lulinha passou a integrar o noticiário político e jurídico após a publicação de reportagens que apontam que ele teria recebido recursos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central no esquema de fraudes que desviou bilhões de reais por meio de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
A citação do nome de Lulinha levou o caso ao campo político, com sua inclusão no radar da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga responsabilidades, conexões empresariais e possíveis favorecimentos no esquema. A eventual convocação ou convite para prestar esclarecimentos ainda deverá ser definida pelos integrantes da comissão.
O governo acompanha com atenção os desdobramentos do caso, que já provocou forte repercussão nacional e pressiona o Palácio do Planalto em meio ao discurso de combate à corrupção e defesa das instituições adotado pelo presidente.

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