O líder do governo Lula (PT) no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), tornou-se alvo de uma ação judicial após divulgar, durante entrevista concedida na última quarta-feira (21), uma suposta pesquisa eleitoral que indicaria vitória do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), com 54% das intenções de voto em um eventual confronto com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), nas eleições de 2026.
Na entrevista, Wagner atribuiu o levantamento ao instituto AtlasIntel. “A Atlas Intel fez uma pesquisa, deve ser recente, agora dessa semana, dando as possibilidades de Jerônimo também ganhar a eleição de 2026 com 54%. De qualquer forma, eu tenho sempre muita humildade, muita paciência e calma, pesquisa é uma fotografia do momento”, afirmou o senador.
No entanto, consulta realizada no Sistema de Pesquisas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou qualquer pesquisa registrada neste ano com esse recorte eleitoral para o Governo da Bahia. Além disso, Yuri Tavares, responsável pelo AtlasIntel no Brasil, negou publicamente que o instituto tenha realizado ou divulgado levantamento sobre a disputa estadual baiana.
Diante da inconsistência das informações, foi protocolada uma representação judicial contra o senador. A ação pede que sejam adotadas providências legais pela suposta divulgação de pesquisa eleitoral inexistente ou não registrada, o que pode configurar infração à legislação eleitoral.
A representação cita os artigos 17 e 18 da Lei nº 9.504/1997, que regulamenta as eleições. O artigo 17 prevê multa que varia de R$ 53 mil a R$ 106 mil para quem divulgar pesquisa eleitoral sem o prévio registro na Justiça Eleitoral. Já o artigo 18 estabelece, além da multa, pena de detenção para os casos de divulgação de pesquisa fraudulenta.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de agentes públicos na disseminação de informações eleitorais, especialmente em um contexto de pré-campanha, no qual dados de pesquisas podem influenciar o ambiente político e a percepção do eleitorado.
Até o momento, Jaques Wagner não se manifestou oficialmente sobre a ação judicial nem sobre a contestação feita pelo AtlasIntel.

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