O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (18), que eventuais envolvidos nas fraudes investigadas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) serão apurados, independentemente de vínculos pessoais ou políticos. Ao comentar as operações da Polícia Federal que miram um esquema bilionário de desvios, o petista declarou que “se tiver filho dele metido nisso, será investigado”.
A fala ocorreu horas após a prisão de Adroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, e do cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado. As ações fazem parte de uma nova fase da investigação conduzida pela Polícia Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Lula, a apuração dos fatos partiu do próprio governo federal e seguiu critérios técnicos, sem pressa ou exposição midiática. “A decisão de apurar esse fato foi do governo. E por que demorou? Demorou porque, como a gente não quer fazer pirotecnia, a gente queria investigar com seriedade. A nossa controladoria levou praticamente dois anos fazendo investigação. Porque seria muito fácil fazer uma denúncia e não apurar”, afirmou o presidente. Em seguida, reforçou: “Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado”.
As declarações ocorrem em meio ao avanço das investigações e à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS no Senado. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (PSD-MG), afirmou que a CPI ouviu o relato de uma testemunha que apontou a existência de uma suposta parceria comercial entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, para atuação junto ao Ministério da Saúde.
Apesar do relato, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não figura entre os alvos das investigações da Polícia Federal até o momento. A defesa do empresário citado também nega irregularidades.
O governo federal sustenta que continuará colaborando com as investigações e reforça o discurso de que não haverá interferência política nos trabalhos da Polícia Federal e dos órgãos de controle. A CPI do INSS segue em andamento e deve aprofundar a apuração sobre as relações entre empresários, servidores públicos e agentes políticos no esquema investigado.

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