O presidente Lula intensificou, nos bastidores, a busca por um nome capaz de ao menos reduzir a vantagem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma eventual disputa pela reeleição em São Paulo. A movimentação tem sido interpretada por aliados e adversários como sinal de apreensão do Planalto diante do cenário eleitoral no maior colégio eleitoral do país.
Nesse contexto, ganhou força a tentativa de convencer o ex-jogador Raí, tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994 e ídolo de São Paulo e Paris Saint-Germain, a entrar na disputa como vice em uma chapa encabeçada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Atualmente filiada ao MDB, Tebet é considerada próxima de formalizar sua filiação ao PSB para concorrer ao governo paulista.
Raí, que nunca disputou cargo eletivo, tem histórico de engajamento político à esquerda e apoio declarado a candidatos petistas. Em 2022, o ex-atleta fez campanha pública para Lula e chegou a apelar para que nomes do centro e da centro-esquerda abrissem mão de suas candidaturas para apoiar o então candidato do PT à Presidência.
“Ciro, Tebet, vêm com a gente, sem medo de ser feliz. Vêm colaborar, vêm reconstruir, do lado certo e na hora certa. Ninguém solta a mão de ninguém. Depois a gente apara as arestas, antes que não sobrem arestas para aparar”, afirmou Raí à época, em manifestação que repercutiu nas redes sociais e no meio político.
A eventual entrada do ex-jogador na chapa é vista por setores do governo como uma tentativa de agregar apelo popular e simbólico a uma candidatura que, até agora, não decolou nas pesquisas. Para críticos do Planalto, no entanto, a articulação revela dificuldades do presidente em construir um projeto competitivo em São Paulo e a aposta em figuras públicas conhecidas como estratégia para compensar a força eleitoral de Tarcísio.
Enquanto isso, aliados do governador paulista minimizam a movimentação e avaliam que a popularidade de Tarcísio e sua gestão no estado seguem como os principais trunfos para a reeleição. O cenário, ainda em formação, indica que São Paulo deve ser um dos palcos centrais da disputa política nacional nos próximos meses.

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