A base governista no Congresso atuou de forma coordenada, nesta quinta-feira (04), para impedir a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O requerimento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo), foi rejeitado por 19 votos a 12, evidenciando a força da articulação dos parlamentares aliados ao Palácio do Planalto.
Girão justificou o pedido apontando indícios de possíveis conexões financeiras envolvendo pessoas próximas de Lulinha, citando investigações já conhecidas no Ministério Público de São Paulo. A oposição argumentou que o depoimento seria fundamental para esclarecer supostos fluxos de dinheiro relacionados a empresas e figuras ligadas ao esquema que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social. No entanto, a maioria governista votou contra a convocação, impedindo o comparecimento do filho do presidente.
Além de blindarem Lulinha, os aliados do governo também rejeitaram o requerimento que pedia a convocação de Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Lula para uma vaga ainda aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido mencionava a atuação da empresa ADS Soluções e Marketing e repasses financeiros que teriam ligação com o dirigente petista Ricardo Bimbo. Um desses repasses teria chegado ao contador João Muniz Leite, ex-responsável pelas contas de Fábio Luís e investigado na Operação Fim da Linha por suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Enquanto governistas barravam depoimentos de nomes próximos ao presidente, a CPMI aprovou outras convocações relevantes no mesmo dia. Entre elas, a do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que deverá prestar esclarecimentos sobre temas relacionados à investigação. Também foi aprovada a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, preso durante a operação “Compliance Zero”, que apura possíveis crimes financeiros.
A movimentação desta quinta-feira reforça a disputa política interna da CPMI, que tem sido marcada por embates entre oposição e base governista quanto ao alcance das investigações e aos personagens que devem ser ouvidos. A rejeição das convocações de Lulinha e de Messias reacendeu críticas de parlamentares oposicionistas, que acusam a esquerda de proteger aliados do presidente e impedir o avanço das apurações.

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