O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou sua agenda de Carnaval neste fim de semana com um roteiro estratégico pelo Nordeste e pelo Sudeste, em meio a sinais de desgaste em redutos que historicamente lhe garantiram ampla vantagem eleitoral.
A movimentação começou neste sábado (14), em Recife, onde Lula participou do tradicional desfile do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco de rua do mundo. O presidente foi acompanhado por lideranças locais e recebeu gestos públicos de afago político tanto do prefeito João Campos quanto da governadora Raquel Lyra.
A escolha de Pernambuco para abrir a agenda não é casual. Estado natal do presidente, sempre figurou como base eleitoral consolidada do petista. No entanto, pesquisas recentes indicam oscilação na aprovação do governo federal na região Nordeste — cenário que acendeu o alerta no Palácio do Planalto.
Ainda neste sábado, Lula segue para Salvador, onde deve acompanhar a folia no circuito oficial da capital baiana. A Bahia, tradicionalmente considerada um dos pilares eleitorais do PT, atravessa momento político delicado. A popularidade do presidente no estado apresenta sinais de desgaste, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues enfrenta crescente pressão interna e externa.
Nos bastidores, além da preocupação com a rejeição, Lula terá de administrar uma decisão estratégica: a definição do nome que representará o grupo governista na disputa pelo Palácio de Ondina. Diante da alta taxa de rejeição do atual governador, cresce a especulação sobre uma eventual substituição por Rui Costa, ex-governador baiano e atual ministro da Casa Civil, hipótese que dependeria do aval direto do presidente.
A agenda carnavalesca segue no domingo (15), quando Lula estará no Rio de Janeiro para acompanhar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que presta homenagem ao presidente. A presença da primeira-dama no desfile, integrando a agremiação, reforça o simbolismo político do evento.
Aliados avaliam que a estratégia de Lula é clara: ocupar espaços de grande visibilidade popular para reforçar imagem, reduzir ruídos e tentar reverter o avanço da rejeição em estados-chave. O desafio, contudo, vai além da presença nos palanques festivos. O Carnaval pode oferecer vitrine, mas o presidente sabe que a consolidação de um eventual quarto mandato dependerá de reorganização política, alianças regionais e recuperação de capital eleitoral onde antes navegava em águas tranquilas.

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