Durante entrevista concedida nessa terça-feira, (30), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a atribuir ao ex-presidente Jair Bolsonaro a responsabilidade pelos sucessivos pedidos de empréstimos feitos pelo atual governo estadual, que já somam 23 operações de crédito e ultrapassam o montante de R$ 27 bilhões.
Ao justificar o volume elevado de empréstimos, Jerônimo afirmou que a Bahia teria ficado cerca de seis anos sem acesso a financiamentos, alegando que o ex-governador Rui Costa precisou fazer “milagre” para manter investimentos no estado. Segundo o atual governador, solicitações de crédito teriam sido sistematicamente boicotadas pelo governo federal durante a gestão Bolsonaro.
“Bolsonaro não autorizou nenhum empréstimo para o governo da Bahia e não repassou nem um centavo para o estado”, declarou Jerônimo, reforçando o discurso de que a atual administração precisou recorrer ao endividamento para recuperar investimentos em áreas como saúde e educação.
Desde que assumiu o Governo da Bahia, em janeiro de 2023, Jerônimo Rodrigues já obteve autorização para 23 empréstimos junto a instituições financeiras nacionais e internacionais. O governador sustenta que os recursos serão destinados, principalmente, a obras de infraestrutura, fortalecimento da rede de saúde e melhorias na educação pública.
No entanto, a declaração do petista tem gerado controvérsia e críticas por parte de opositores e analistas políticos. Isso porque Rui Costa assumiu o governo da Bahia em 2015, enquanto Jair Bolsonaro só passou a ocupar a Presidência da República a partir de janeiro de 2019. Ou seja, parte do período citado por Jerônimo como “seis anos sem empréstimos” antecede o início do governo Bolsonaro.
A divergência temporal levanta questionamentos sobre a consistência do argumento apresentado pelo governador para justificar o elevado número de empréstimos contratados em pouco mais de dois anos de gestão. Parlamentares da oposição têm cobrado mais transparência sobre o impacto do endividamento nas contas públicas do estado e alertam para os riscos fiscais de longo prazo.

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