Durante entrevista concedida à CNN Brasil nesta terça-feira (16), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a defender o legado dos governos petistas no estado e pediu que a população baiana comparasse os 20 anos de gestões do PT com os governos de oposição que antecederam a chegada do partido ao poder, em janeiro de 2007.
Considerado por críticos e por setores da oposição como o pior governador da Bahia dos últimos tempos, Jerônimo atribuiu exclusivamente ao PT os avanços estruturais do estado, afirmando que somente a partir de 2007, com a posse do então governador Jacques Wagner, a Bahia passou a contar efetivamente com escolas, hospitais e políticas públicas voltadas à segurança pública. A declaração desconsidera ações e investimentos realizados por gestões anteriores e gerou reações imediatas nos meios políticos.
Ao comentar os resultados de sua própria administração, Jerônimo Rodrigues afirmou que, nos últimos três anos, período correspondente ao seu mandato, a Bahia teria registrado uma redução significativa nas mortes violentas e na letalidade policial. A fala, no entanto, contraria dados amplamente divulgados pela imprensa e por levantamentos oficiais, que apontam o estado entre os mais violentos do país, com recorrentes registros de homicídios, confrontos policiais e operações com alto número de mortes.
Em outro momento da entrevista, o governador tratou do cenário político para as próximas eleições e disse esperar um debate entre o seu projeto de governo e o projeto liderado por ACM Neto (União Brasil), seu principal adversário na disputa pelo comando do Palácio de Ondina. Jerônimo sinalizou que pretende centrar o confronto político na comparação entre modelos administrativos.
O petista também declarou que a Bahia dispõe atualmente de hospitais de alta complexidade em “cada canto” do estado e que sua gestão tem ampliado os investimentos na área da segurança pública. As afirmações, contudo, são frequentemente questionadas por especialistas, gestores municipais e parlamentares da oposição, que apontam dificuldades no acesso à saúde, superlotação de unidades hospitalares e a persistência de graves problemas na segurança, sobretudo no interior e na Região Metropolitana de Salvador.
As declarações de Jerônimo Rodrigues reforçam o tom de defesa do legado petista e indicam que a estratégia do governador passa por polarizar o debate político, apostando na comparação histórica entre gestões, mesmo diante de indicadores e críticas que colocam em xeque o discurso oficial do governo estadual.

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