Os trens do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) adquiridos pelo Governo da Bahia, em um negócio que ultrapassa R$ 1 bilhão, estavam encalhados há mais de dez anos no Mato Grosso. Os equipamentos foram comprados originalmente para operar em Cuiabá, como parte do projeto de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014, mas as linhas previstas jamais saíram do papel. Desde então, as composições permaneciam paradas em um estacionamento, deteriorando-se com a ação do tempo e sem qualquer uso.
A negociação para trazer o material ao estado baiano teve início em agosto de 2023 e contou com a mediação do Tribunal de Contas da União (TCU), que atuou para viabilizar o acordo entre os governos estaduais. O contrato foi formalizado em julho de 2024, envolvendo três parcelas principais: R$ 820 milhões referentes à compra dos trens, R$ 200 milhões destinados ao restabelecimento técnico e operacional das composições e outros R$ 100 milhões relativos à aquisição de equipamentos complementares.
Apesar de o valor total ser considerado abaixo do preço de mercado para composições novas, o próprio governo da Bahia reconhece que a longa inatividade exigirá reparos significativos. Segundo informações oficiais, os trens precisarão passar por um amplo processo de restabelecimento técnico e operacional, que será de responsabilidade da fabricante. O objetivo é garantir que os equipamentos, após mais de uma década parados, voltem a operar dentro dos padrões de segurança e eficiência exigidos para o VLT que será implantado em Salvador e Região Metropolitana.
A aquisição dos trens encalhados reacende a discussão sobre o legado dos investimentos da Copa de 2014 e coloca a Bahia no centro de um debate mais amplo sobre reaproveitamento de ativos públicos. Enquanto o governo baiano defende que o negócio representa uma economia expressiva em comparação com a compra de unidades novas, críticos apontam para os riscos envolvidos na recuperação de equipamentos que ficaram expostos por tantos anos sem operação.
Com o acordo firmado, a expectativa do governo é acelerar a implantação do novo modal de transporte, considerado estratégico para melhorar a mobilidade urbana e integrar diferentes regiões da capital e do entorno. Entretanto, o desempenho futuro dos trens dependerá diretamente da eficácia do restabelecimento técnico e da capacidade da fabricante de devolver aos equipamentos a plena condição de uso.

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