O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinalizou, nesse domingo, (07), que pode desistir de sua pré-candidatura à Presidência da República pela extrema-direita. A possibilidade surge menos de 48 horas após ele próprio anunciar, na sexta-feira (05), que havia sido escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar o Palácio do Planalto em 2026.
A rápida mudança de posição evidencia o isolamento político do parlamentar, que enfrenta forte resistência interna e externa ao bolsonarismo. Sem apoio do Centrão e pressionado pelo fraco desempenho em pesquisas, Flávio admitiu que sua permanência na corrida eleitoral dependerá de uma “negociação” com aliados e com o Congresso. Segundo ele, a desistência tem “um preço”, que seria a aprovação de uma anistia ao pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho um preço para isso. Vou negociar”, afirmou o senador, deixando claro que sua pré-candidatura pode ser usada como instrumento de pressão política.
A fala repercutiu imediatamente entre aliados, que veem na declaração uma tentativa de reorganizar o campo bolsonarista, hoje dividido entre diferentes nomes que poderiam herdar o espólio político de Jair Bolsonaro. A pesquisa Datafolha divulgada no sábado (06) reforçou o enfraquecimento de Flávio: apenas 8% dos entrevistados consideram o senador o melhor nome para ser apoiado pelo ex-presidente. Ele aparece atrás da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com 22%, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 20%.
O cenário expõe o desafio da extrema-direita para 2026, diante da ausência de Jair Bolsonaro no pleito e da dificuldade em consolidar um nome competitivo. Enquanto Flávio admite recuo, o campo político que orbita o ex-presidente segue buscando uma figura capaz de manter a base mobilizada e viável eleitoralmente.
A eventual retirada do senador, condicionada à anistia do pai, adiciona um novo capítulo às tensões que envolvem a sucessão no bolsonarismo e deve intensificar as disputas internas nos próximos meses.

Comentários: