Dois contratos firmados pela Prefeitura de Itamari tem gerado questionamentos e sido apelidado por moradores e lideranças locais de “Farra das Quentinhas”. A gestão do prefeito Everton Vasconcelos adquiriu 15 mil refeições prontas — destinadas a almoço e jantar — que serão distribuídas diariamente em órgãos públicos do município, ao custo total de R$ 168.675,00 aos cofres da prefeitura.
De acordo com as informações levantadas, mais de 7 mil dessas refeições já estão contempladas no contrato firmado, que prevê fornecimento contínuo para atender setores da administração municipal. O valor global, que se aproxima de R$ 170 mil, chamou atenção pelo volume contratado e pela justificativa operacional da medida.
O ponto que tem provocado maior estranheza entre munícipes é o fato de que a maioria dos servidores da prefeitura reside na própria cidade, muitos inclusive próximos aos locais de trabalho. Para parte da população, isso permitiria que os funcionários utilizassem o intervalo intrajornada para realizar as refeições em suas residências, reduzindo a necessidade de fornecimento diário de alimentação custeada pelo erário.
Especialistas em gestão pública ouvidos informalmente destacam que a concessão de alimentação pode ser prevista em determinadas situações — como plantões, jornadas estendidas ou atividades externas —, desde que haja motivação formal, estudo de impacto orçamentário e demonstração clara do interesse público.
Além do contrato das quentinhas, a gestão municipal também firmou outro acordo para aquisição de gêneros alimentícios que se aproxima de R$ 500 mil. A soma dos dois contratos ultrapassa R$ 650 mil em despesas relacionadas à alimentação, ampliando o debate sobre prioridades administrativas e planejamento orçamentário em um município de pequeno porte.
A Prefeitura de Itamari não detalhou publicamente quais categorias de servidores serão contempladas, nem apresentou estudo técnico que justifique a necessidade do fornecimento diário das refeições.

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