A atuação da instituição Voluntárias Sociais da Bahia (VSB) tem sido alvo de questionamentos diante da ausência de informações públicas atualizadas sobre convênios, demonstrativos financeiros e balanços contábeis. Apesar de manter um site institucional com notícias e ações divulgadas de forma recorrente, dados considerados essenciais para o controle social permanecem desatualizados há mais de uma década.
Fundada em 21 de março de 1960 por D. Lavínia Magalhães, esposa do então governador Juracy Magalhães, a entidade possui uma característica singular: desde sua criação, a presidência é exercida pela primeira-dama do Estado da Bahia. Atualmente, a instituição é presidida pela professora Tatiana Velloso, esposa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que assumiu a função em 2023.
Ao acessar o portal oficial das Voluntárias Sociais, o internauta encontra informações institucionais, registros de eventos, campanhas sociais e ações assistenciais. No entanto, quando o assunto envolve transparência financeira — como convênios firmados com o poder público, prestações de contas, balanços patrimoniais e demonstrativos contábeis — as informações disponíveis são antigas e não refletem a realidade atual da instituição.
Os últimos demonstrativos e balanços financeiros publicados no site datam de 2012. Já o registro mais recente de convênio com o Governo do Estado da Bahia é de 12 de outubro de 2011, quando a então Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza destinou pouco mais de R$ 6 milhões à entidade. Na época, a presidência das Voluntárias Sociais era exercida por Fátima Mendonça, esposa do então governador Jacques Wagner.
Desde então, não há registros públicos atualizados que indiquem valores recebidos pela instituição, seja por meio de repasses do governo estadual, seja por doações de pessoas físicas ou jurídicas. Sob a atual presidência de Tatiana Velloso, também não constam informações oficiais sobre novos convênios, termos de fomento ou instrumentos similares firmados com o Estado da Bahia ou outros entes públicos.
Especialistas em administração pública e transparência destacam que entidades que mantêm relação histórica e institucional com o poder público, sobretudo aquelas que recebem recursos estatais ou desempenham funções de interesse social, devem observar rigorosamente os princípios da publicidade e da transparência, previstos na Constituição Federal e na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).
A ausência de dados atualizados dificulta a fiscalização por parte da sociedade e de órgãos de controle, além de gerar dúvidas quanto à gestão dos recursos e à governança da instituição. Procuradas em situações semelhantes por veículos de comunicação, organizações costumam alegar que as informações estão em fase de atualização ou disponíveis mediante solicitação formal, o que não substitui a obrigação de divulgação ativa.
Até o momento, não há posicionamento público da presidência das Voluntárias Sociais da Bahia explicando os motivos da defasagem das informações financeiras nem previsão para a atualização dos dados no portal institucional. Enquanto isso, permanece o questionamento sobre o nível de transparência adotado por uma das instituições sociais mais tradicionais do estado, historicamente ligada ao Palácio de Ondina.

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