O ex-deputado federal Jean Wyllys anunciou seu retorno à política partidária e oficializou filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda pela qual pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo nas próximas eleições. A decisão foi formalizada após reunião com o presidente nacional do partido, Edinho Silva, e com a filósofa Marcia Tiburi, uma das lideranças do movimento “Um outro Congresso é possível”.
Jean Wyllys foi eleito deputado federal pelo Psol do Rio de Janeiro por três mandatos consecutivos. No entanto, em 2019, abriu mão do terceiro mandato antes de tomar posse e deixou o país, alegando ter sido alvo de ameaças de morte. À época, a decisão ocorreu em meio a um ambiente de forte polarização política no Brasil, intensificado após o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.
Ao anunciar seu retorno, o ex-parlamentar afirmou que a violência política interrompeu sua trajetória no Congresso Nacional e que considera necessário retomar esse trabalho. “Tenho plena consciência de que a violência política interrompeu um trabalho ao qual preciso retornar, principalmente quando o mundo democrático se vê ameaçado por uma nova forma de fascismo (a das big techs) e o planeta pelas mudanças climáticas”, declarou.
Conhecido por sua atuação em pautas ligadas aos direitos humanos, à população LGBTQIA+ e à defesa de minorias, Jean Wyllys foi um dos nomes mais emblemáticos da esquerda no Parlamento durante seus mandatos. Sua filiação ao PT marca uma mudança partidária significativa, já que construiu sua carreira política no Psol, legenda pela qual se projetou nacionalmente.
Nos bastidores, o movimento é interpretado como parte de uma estratégia do PT para ampliar sua bancada na Câmara e atrair quadros com forte identificação em segmentos progressistas do eleitorado. A escolha de São Paulo como domicílio eleitoral também é vista como um movimento tático, considerando o tamanho do colégio eleitoral paulista e o peso do estado na composição da Câmara dos Deputados.
O movimento “Um outro Congresso é possível”, citado na articulação que culminou na filiação, tem defendido a renovação do Legislativo com nomes alinhados à agenda democrática, ambiental e de direitos civis.

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