A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS voltou a mirar o núcleo político do Palácio do Planalto após receber, nesta sexta-feira (19), um novo requerimento de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é que ele preste depoimento sobre eventuais ligações com pessoas investigadas no esquema de fraude bilionária envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social.
O movimento ocorre um dia após uma nova fase da operação da Polícia Federal, deflagrada na quinta-feira (18), que aprofundou as apurações sobre desvios de recursos e pagamentos ilícitos no âmbito do INSS. Com os novos desdobramentos da investigação, o cerco em torno de personagens até então preservados nos primeiros meses de trabalho da CPMI passou a se estreitar.
Os requerimentos para a oitiva de Lulinha foram apresentados pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo o parlamentar, as informações reveladas pela Polícia Federal justificam a necessidade de ampliar o rol de depoentes e reavaliar conexões que, até agora, não haviam sido exploradas pelo colegiado.
Além do filho do presidente, a CPMI também aprovou pedidos para ouvir Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, exonerado após ser preso na operação desta semana, e Gustavo Marques Gaspar, empresário e ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
De acordo com a Polícia Federal, as investigações identificaram o pagamento recorrente de uma suposta “mesada” no valor de R$ 300 mil a uma empresa ligada a Luchsinger. Em mensagens apreendidas durante a operação, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, menciona que o montante seria destinado ao “filho do rapaz”, sem esclarecer a quem a referência se dirigia.
As novas convocações reforçam a estratégia da CPMI de aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro e das relações políticas associadas ao esquema, em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A expectativa é de que os próximos depoimentos tragam novos elementos para esclarecer o alcance e os beneficiários das fraudes no INSS.

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