Dois estados do Nordeste administrados por governos do Partido dos Trabalhadores aparecem nas primeiras posições do ranking dos mais violentos do Brasil. Bahia e Ceará ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares no levantamento divulgado em maio de 2025 pelo Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A Bahia, governada por Jerônimo Rodrigues, aparece na segunda colocação nacional, ficando atrás apenas do Amapá. O estado é administrado pelo PT há quase duas décadas, período marcado por recorrentes promessas de fortalecimento da segurança pública, mas que, segundo os dados, não foram suficientes para conter o avanço da criminalidade violenta. Logo em seguida, na terceira posição, está o Ceará, governado por Elmano Freitas, que também enfrenta uma escalada expressiva da violência associada à atuação de facções criminosas.
O levantamento aponta índices alarmantes de homicídios e evidencia a consolidação de organizações criminosas nos dois estados, além de fragilidades estruturais nas políticas de prevenção, repressão e inteligência policial. Especialistas ouvidos pelo Atlas destacam que a disputa entre facções, o controle territorial em áreas urbanas e a baixa capacidade de resposta do Estado têm contribuído diretamente para o agravamento do cenário.
Na Bahia, os reflexos da crise na segurança pública se materializam em episódios de extrema brutalidade. O caso mais recente foi registrado na noite da última terça-feira (16), em Salvador, quando três trabalhadores foram torturados e assassinados por integrantes de facções criminosas. O crime gerou forte comoção e reacendeu o debate sobre a eficácia das estratégias adotadas pelo governo estadual para o enfrentamento da violência.
No Ceará, a situação não é diferente. O estado tem registrado confrontos frequentes entre grupos criminosos, ataques a equipamentos públicos e crescimento dos homicídios, especialmente em regiões metropolitanas e no interior. Mesmo após sucessivas mudanças no comando da segurança e anúncios de novos programas, os indicadores seguem elevados.
Os números do Atlas da Violência reforçam a pressão sobre os governos estaduais e ampliam a cobrança por medidas mais efetivas no combate ao crime organizado. Enquanto isso, a população segue convivendo com o medo, a insegurança e a sensação de ausência do Estado em áreas cada vez mais dominadas pela criminalidade.

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