Política
Vanuza do Cacau arrecada mais de R$ 419 mil, mas não consegue se eleger deputada federal na Bahia
Em sua primeira disputa eleitoral, candidata recebeu 37.355 votos e ficou na suplência; campanha foi marcada por protestos em defesa dos cacauicultores e polêmicas envolvendo a Biofábrica da Bahia

A tentativa de transformar a insatisfação dos produtores de cacau em força eleitoral não foi suficiente para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados à empresária Vanuza Barroso (Republicanos), conhecida como Vanuza do Cacau. Em sua primeira participação numa eleição, a candidata conquistou 37.355 votos, o equivalente a apenas 0,45% dos votos válidos na Bahia, e terminou a disputa na condição de suplente.
Vanuza ganhou projeção ao se apresentar como defensora dos cacauicultores, principalmente durante as manifestações contra a queda no preço da amêndoa. Aproveitando a mobilização dos produtores rurais, passou a ocupar espaço nas redes sociais, endureceu o discurso contra governos e indústrias e buscou transformar o protagonismo nos protestos em uma candidatura competitiva. Nas urnas, entretanto, a estratégia não produziu o resultado necessário para sua eleição.
O desempenho chama atenção também pelos recursos financeiros recebidos durante a campanha. Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, Vanuza arrecadou R$ 419.766,91, incluindo repasses partidários e doações. Desse montante, R$ 10.100,00 foram registrados como despesas com impulsionamento de conteúdos junto ao Facebook.
Apesar da exposição conquistada durante as manifestações, Vanuza não conseguiu converter a visibilidade em votos suficientes para alcançar o mandato. O resultado sugere que a identificação com uma pauta importante para a economia regional, por si só, não foi suficiente para construir uma base eleitoral capaz de sustentar sua candidatura em todo o estado.
A trajetória da candidata também foi acompanhada por episódios controversos. Um dos mais repercutidos aconteceu em maio, quando Vanuza, então presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), foi acusada de uma suposta tentativa de suborno envolvendo uma funcionária do Instituto Biofábrica da Bahia, em Ilhéus.
Na ocasião, a divulgação de gravações e de um boletim de ocorrência levantou questionamentos sobre uma proposta financeira que teria sido feita à funcionária para confirmar denúncias relacionadas à possível contaminação de mudas de cacau. Vanuza negou a acusação de suborno, afirmou que os áudios haviam sido retirados de contexto e sustentou que a proposta se tratava de uma oferta de trabalho para proteger a funcionária de uma possível demissão. A denúncia, portanto, não pode ser tratada como irregularidade comprovada.
Ao final, os números das urnas mostram que, embora tenha conquistado uma votação expressiva para uma estreante, Vanuza ficou distante de seu principal objetivo: representar os produtores de cacau no Congresso Nacional. A candidatura conseguiu ganhar visibilidade em meio à crise da cacauicultura, mas não reuniu apoio eleitoral suficiente para transformá-la em uma vaga na Câmara dos Deputados.
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