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Flávio Bolsonaro sofre forte desgaste após áudios com Vorcaro vazarem, aponta pesquisa

Vazamento de áudios amplia desgaste fora do núcleo fiel, reduz disposição de voto e fortalece percepção de enfraquecimento da candidatura

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Flávio Bolsonaro sofre forte desgaste após áudios com Vorcaro vazarem, aponta pesquisa

O vazamento de áudios e mensagens atribuídos a conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou desgaste relevante na imagem do parlamentar e já produz reflexos no cenário eleitoral de 2026, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19).

Os dados mostram que o episódio ultrapassou o noticiário político tradicional e alcançou quase todo o eleitorado. Segundo o levantamento, 95,6% afirmam ter tomado conhecimento das mensagens vazadas. Entre os que souberam do caso, 93,9% disseram ter ouvido os áudios.

A pesquisa indica que a repercussão foi majoritariamente negativa para o senador. Para 64,1% dos entrevistados, a divulgação das conversas enfraqueceu a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, sendo que 45,1% avaliam que ela foi “muito enfraquecida” e 19% dizem que houve enfraquecimento parcial.

O impacto aparece também na disposição de voto. Entre os entrevistados, 18,1% afirmaram ter ficado menos propensos a votar em Flávio após o caso, enquanto 18,8% disseram estar mais dispostos a apoiá-lo. Outros 47,1% afirmaram que já não votariam nele “de qualquer forma”, enquanto 21% disseram que o episódio não alterou sua decisão eleitoral.

Os números sugerem que o desgaste se concentrou sobretudo entre eleitores fora do núcleo bolsonarista. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 84,2% defendem que Flávio mantenha a candidatura presidencial mesmo após o caso. Apenas 12,6% consideram que ele deveria desistir da disputa e apoiar outro nome.

A pesquisa mostra ainda que o eleitorado interpretou o episódio mais como indício de irregularidade do que como perseguição política. Para 54,9%, o vazamento representa “evidências obtidas em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades”. Outros 33% enxergam uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro.

A percepção negativa é mais forte entre eleitores de Lula. Nesse grupo, 92,1% afirmam acreditar que o caso envolve irregularidades legítimas. Entre bolsonaristas, 71,8% consideram que o vazamento teve motivação política.

Os dados também revelam mudança na associação política do escândalo envolvendo o Banco Master. Hoje, 43,3% dizem acreditar que os aliados de Jair Bolsonaro são os principais envolvidos no esquema de fraudes financeiras investigado. Em março, esse percentual era de 28,3%.

Já os que atribuem maior responsabilidade aos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caíram de 39,5% para 32,8% no mesmo período.

O desgaste ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. A mesma pesquisa mostra Lula à frente do senador em eventual segundo turno por 48,9% a 41,8%, uma vantagem de 7,1 pontos percentuais.

O levantamento também indica aumento do receio do eleitorado em relação a uma eventual vitória do senador. Para 47,4%, a eleição de Flávio Bolsonaro é o cenário que mais causa “medo ou preocupação” para o futuro do país. A reeleição de Lula aparece com 40,5%.

Apesar disso, os números sugerem que o caso ainda não rompeu a fidelidade do eleitor bolsonarista mais consolidado. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, apenas 11,2% afirmam que a candidatura de Flávio foi muito enfraquecida após os vazamentos. Nesse grupo, 28,2% avaliam até que o episódio fortaleceu o senador politicamente.

O resultado reforça uma dinâmica já observada em outros episódios envolvendo lideranças bolsonaristas. Denúncias e investigações costumam produzir impacto mais forte sobre eleitores independentes e moderados do que sobre a base ideológica mais fiel.

A pesquisa AtlasIntel Bloomberg ouviu 5.032 eleitores entre os dias 15 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e o nível de confiança do levantamento é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o nº BR-06939/2026.

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