Um terreno do senador Jaques Wagner (PT) em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (RMS), teve valorização real de 11.400% em 25 anos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. A área, comprada por R$ 28 mil em 2000, foi negociada por R$ 15 milhões, mas a venda foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
De acordo com documentos obtidos pelo jornal, o terreno tem 51 mil metros quadrados, equivalente a cerca de sete campos de futebol. Em valores corrigidos pela inflação, o imóvel foi adquirido por aproximadamente R$ 130 mil. A Folha afirma que a valorização ocorreu após a consolidação da Via Metropolitana como novo eixo de expansão urbana da Região Metropolitana de Salvador. O terreno fica ao lado da via.
A rodovia concebida durante a gestão de Jaques Wagner como governador da Bahia. O projeto começou a ser estudado em 2011, o aditivo contratual que permitiu a obra foi assinado em 2014, as obras tiveram início em 2015, já no governo Rui Costa (PT), e a via foi inaugurada em 2018 com investimento de R$ 220 milhões.
A área vendida por Jaques Wagner integra o terreno onde será construído o Lagoons, condomínio residencial de alto padrão anunciado como o primeiro do país integrado a um centro de treinamento de futebol. O empreendimento é desenvolvido pelo City Football Group, controlador do Bahia, em parceria com a QPC Incorporadora e o Grupo Terere. A Lagoons Empreendimentos é a empresa responsável pelo projeto imobiliário.
Em fevereiro deste ano, Wagner participou do lançamento das obras do CT e escreveu nas redes sociais: "Quem diria que a Via Metropolitana, que eu comecei e Rui Costa terminou, hoje nos daria a possibilidade de construir o novo Centro de Treinamento do Bahia?"
Além do terreno, o STF suspendeu a venda de um apartamento de Jaques Wagner no Corredor da Vitória, em Salvador, negociado por R$ 10 milhões. As duas transações somam R$ 25 milhões. Na eleição de 2018, o senador declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões à Justiça Eleitoral.
Em nota à Folha, a Lagoons Empreendimentos afirmou que a compra do terreno ocorreu de forma regular e sem relação com o empreendimento atual. A empresa declarou: "Trata-se de uma negociação realizada décadas antes da concepção do empreendimento Lagoons e, portanto, sem qualquer relação com o projeto atualmente em desenvolvimento. São operações distintas, realizadas em contextos temporais diferentes e em estrita observância à legislação."
A defesa de Jaques Wagner informou que a negociação foi iniciada em 2024 e concluída em 2025. Em nota, afirmou: "Jaques Wagner já forneceu todos os esclarecimentos necessários. Todos os méritos do procedimento estão sendo discutidos nos autos."
O senador foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento em agosto na investigação sobre o Banco Master. Ele nega irregularidades.
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