A impopularidade do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a ficar evidente nesse sábado (14), durante o Carnaval de Salvador. Mesmo dividindo espaço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no tradicional circuito Osmar, no Campo Grande, o chefe do Executivo baiano passou praticamente despercebido pelos foliões.
Jerônimo acompanhou Lula no camarote oficial do Governo da Bahia, ao lado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e da ministra da Cultura, a cantora baiana Margareth Menezes. Apesar do aparato institucional e da presença de figuras de projeção nacional, o governador não foi alvo de manifestações significativas de apoio por parte do público.
O contraste ficou ainda mais evidente durante a passagem do trio elétrico da banda BaianaSystem. Em meio à apresentação, o vocalista Russo Passapusso puxou um coro em apoio ao presidente Lula, prontamente acompanhado por parte dos foliões. Não houve, entretanto, qualquer menção ao governador baiano — silêncio interpretado por aliados e adversários como sintomático do atual momento político de Jerônimo.
Nos bastidores, interlocutores do Palácio de Ondina admitem que o petista foi orientado por sua equipe política a evitar contato direto com o público no circuito mais tradicional da folia. A estratégia teria como objetivo prevenir episódios de hostilidade ou manifestações negativas, como as registradas em carnavais anteriores, que repercutiram nas redes sociais e na imprensa.
A avaliação interna é de que, em ano de disputa eleitoral, qualquer demonstração pública de rejeição pode ampliar o desgaste da imagem do governador. Por isso, Jerônimo tem restringido sua participação a blocos de menor porte e a eventos com vínculo institucional com o governo estadual, onde o ambiente é considerado mais controlado.
O episódio deste sábado reforça a leitura de que, mesmo ao lado de Lula — principal ativo político do PT no Nordeste —, Jerônimo enfrenta dificuldades para converter a presença presidencial em capital político próprio. A ausência de manifestações espontâneas em seu favor, em um dos palcos mais simbólicos da política baiana, expõe o desafio do governador em reconectar-se com parte do eleitorado em meio à crescente pressão do calendário eleitoral.

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