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Caos na saúde de Itamari faz hospital municipal ser rebaixado para unidade de saúde
O fechamento do prédio principal do hospital para reforma ocorreu logo no início do primeiro mandato de Dr. Tom, em 2021

A saúde pública no município de Itamari, vive um dos seus períodos mais críticos. O que antes era o Hospital Municipal São Lucas passou por um severo processo de rebaixamento institucional. O local perdeu o status de hospital geral e foi reduzido, na prática, a uma unidade de atendimento básico e ambulatorial. Na rotina da população, a mudança se traduz em um impacto severo: moradores que necessitam de intervenções cirúrgicas, partos ou internamentos de urgência não contam mais com suporte local de alta complexidade. Agora, o paciente grave precisa ser estabilizado e transferido às pressas para cidades vizinhas, como Jequié ou Santo Antônio de Jesus.
A descaracterização do hospital acentua o principal paradoxo da atual gestão: o prefeito da cidade, Everton Vasconcelos, conhecido popularmente como Dr. Tom, é médico pediatra de formação. Apesar de carregar a medicina em seu histórico profissional e no próprio slogan político, a saúde se tornou a área mais problemática e alvo de constantes reclamações em Itamari.
O fechamento do prédio principal do hospital para reforma ocorreu logo no início do primeiro mandato de Dr. Tom, em 2021. Desde então, o cronograma de obras enfrenta um cenário de lentidão crônica e paralisações repetidas. O canteiro de obras arrasta-se há mais de cinco anos, gerando protestos frequentes dos moradores devido à falta de uma estrutura central de pronto-socorro operacional.
Nesse intervalo de meia década, os atendimentos ambulatoriais básicos foram temporariamente remanejados para o Multicentro de Saúde Zacarias Ribeiro e outras salas da rede municipal. Enquanto a promessa de reabertura da ala reformada é sucessivamente adiada para o final de cada ano fiscal, o orçamento da obra é fragmentado em contratos menores e aditivos de engenharia. A falta de uma planilha consolidada e de transparência centralizada nos portais públicos municipais dificulta o controle social sobre o montante exato já injetado na estrutura ao longo de todos esses anos.
Enquanto o maior patrimônio de saúde do município permanece cercado por tapumes e operando de forma reduzida, as prioridades financeiras da gestão municipal entram na mira de questionamentos populares e da oposição. Desde que assumiu o governo local em 2021, o prefeito mantém uma agenda robusta de eventos festivos anuais de grande porte, com destaque para as comemorações tradicionais de São Pedro.
Mesmo diante do quadro deficitário da saúde e do atraso de cinco anos na reestruturação do Hospital São Lucas, a prefeitura investe anualmente milhares de reais na contratação de atrações de renome nacional e na montagem de megaestruturas para os festejos de rua, promovendo eventos como o "São Pedro de Itamari". Para parte dos moradores, o contraste entre os palcos iluminados das festas e as portas fechadas do hospital expõe uma profunda inversão de prioridades na aplicação do dinheiro público da cidade.
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