Economia
Tentando reduzir desgaste político, Lula revoga "taxa das blusinhas" criada por ele e Haddad
Às vésperas do período eleitoral, a decisão de revogar o imposto tem sido interpretada por críticos como uma tentativa de melhorar a popularidade do governo junto à população de baixa renda, principal consumidora dessas plataformas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória que revoga a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança criada pelo próprio governo federal em 2024 sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas digitais estrangeiras. A medida, que passa a valer já nesta quarta-feira (13), elimina a alíquota de 20% que incidia sobre esse tipo de importação e reacende o debate sobre o uso de medidas econômicas com forte impacto eleitoral.
A taxação havia sido articulada pelo Ministério da Fazenda, então comandado pelo ministro Fernando Haddad, sob o argumento de equilibrar a concorrência entre o comércio nacional e gigantes internacionais do varejo online. Desde sua implementação, a cobrança gerou arrecadação superior a R$ 2 bilhões para os cofres da União, segundo dados do próprio governo federal.
Agora, às vésperas do período eleitoral, a decisão de revogar o imposto tem sido interpretada por críticos como uma tentativa de melhorar a popularidade do governo junto à população de baixa renda, principal consumidora dessas plataformas. A mudança ocorre pouco mais de um ano após a criação da taxação, o que fortalece a percepção de um recuo motivado pelo desgaste político provocado pela medida.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, defendeu a revogação afirmando que a decisão busca beneficiar consumidores de menor poder aquisitivo. Segundo ele, muitas famílias utilizam plataformas internacionais para adquirir produtos essenciais para o cotidiano.
“Essa população utiliza muito dessas plataformas para adquirir produtos que são muito importantes para seu dia a dia”, declarou Ceron ao comentar a mudança anunciada pelo governo.
A chamada “taxa das blusinhas” se tornou um dos temas econômicos mais criticados nas redes sociais desde sua criação, especialmente entre jovens e consumidores acostumados a comprar em sites internacionais. O imposto atingia diretamente produtos de baixo custo vendidos por empresas asiáticas e amplamente consumidos no Brasil.
Com a revogação, o governo tenta reduzir o desgaste político causado pela medida e recuperar apoio popular em um momento de forte movimentação pré-eleitoral em Brasília. O episódio também amplia as críticas da oposição, que acusa o Palácio do Planalto de criar tributos impopulares para, posteriormente, derrubá-los em busca de ganhos políticos.
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