Economia
Levantamento mostra que Jerônimo pega quase R$ 1 milhão em empréstimos por hora em nome do Governo da Bahia
Com mais de R$ 26 bilhões em crédito contratado desde 2023 — ao custo de quase R$ 1 milhão por hora — e mais de 900 obras sem avanço, a gestão Jerônimo Rodrigues enfrenta o desafio de justificar o volume de endividamento e, sobretudo, transformar recursos financiados em resultados concretos para a população baiana

Desde o início de 2023, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), acumulou um total superior a R$ 26 bilhões em empréstimos contratados em nome do Estado. Ao todo, são 22 operações de crédito aprovadas pela sua base na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), compondo um dos maiores ciclos de endividamento recente da gestão estadual.
Distribuído ao longo de aproximadamente três anos, esse montante equivale a cerca de R$ 23,7 milhões por dia desde o início das contratações. Em outra perspectiva, são pouco mais de R$ 989 mil por hora, praticamente R$ 1 milhão por hora, sendo incorporados ao passivo estadual no período analisado. A escala do endividamento tem se tornado tema central no debate político, especialmente diante dos resultados apresentados na execução das obras públicas.
Um relatório recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou que mais de 900 obras sob responsabilidade do governo baiano — incluindo intervenções realizadas em parceria com o governo federal, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — encontram-se paralisadas e sem previsão de conclusão. O levantamento abrange obras de infraestrutura, mobilidade urbana, educação, saúde e projetos estruturantes, muitos dos quais foram anunciados como prioridades financiadas pelos empréstimos contratados.
A oposição na ALBA tem questionado a falta de entregas compatíveis com o volume expressivo de crédito aprovado, alegando que o governo não vem apresentando justificativas detalhadas sobre o destino dos recursos. Parlamentares da base governista sustentam que parte das paralisações decorre de entraves burocráticos, revisões de projetos e dificuldades operacionais herdadas de gestões anteriores.
Apesar das explicações, o relatório do TCE adiciona pressão sobre o Palácio de Ondina. Especialistas em contas públicas alertam que, embora o endividamento seja um instrumento legítimo de investimento, sua efetividade depende diretamente da execução das obras — hoje emperradas em centenas de frentes pelo estado. Obras paralisadas podem se degradar, gerar aumento de custos futuros e comprometer a capacidade de investimentos de médio prazo.
Com mais de R$ 26 bilhões em crédito contratado desde 2023 — ao custo de quase R$ 1 milhão por hora — e mais de 900 obras sem avanço, a gestão Jerônimo Rodrigues enfrenta o desafio de justificar o volume de endividamento e, sobretudo, transformar recursos financiados em resultados concretos para a população baiana.
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