Economia
Governador Jerônimo se diz “pobre”, mas salário de R$ 36 mil e patrimônio de mais de meio milhão contradizem declaração
Somente em 2025, o petista já acumulou mais de R$ 440 mil em remunerações, sem contabilizar as diárias pagas pelo próprio governo do estado em viagens oficiais

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a gerar polêmica após uma declaração feita na última quarta-feira (03), ao comentar críticas recebidas nas redes sociais. Durante o discurso, o petista afirmou ser “uma pessoa pobre”, ao reclamar que baianos estariam deixando de acreditar nele para confiar em denúncias divulgadas na internet. A fala, porém, rapidamente repercutiu de forma negativa, sobretudo pela clara contradição entre o que o governador afirmou e a sua real condição financeira.
Entre os 27 governadores e governadoras do país, Jerônimo Rodrigues figura entre os cinco com maior salário. O chefe do Executivo baiano recebe mensalmente R$ 36.894,89, valor muito distante da realidade econômica enfrentada pela maioria da população. Somente em 2025, o petista já acumulou mais de R$ 440 mil em remunerações, sem contabilizar as diárias pagas pelo próprio governo do estado em viagens oficiais.
Além disso, a declaração do governador destoa do patrimônio que ele mesmo apresentou à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022. Na época, Jerônimo declarou possuir R$ 515.216,13 em bens, divididos entre imóveis, veículos, aplicações financeiras e dinheiro em espécie.
A fala de Jerônimo também colide com o critério utilizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, comandado pelo PT, partido do próprio governador. Segundo a pasta, é considerada pobre no Brasil a pessoa que vive com renda inferior a meio salário mínimo — hoje um limite de menos de R$ 706 mensais. O valor está muito distante da realidade do governador, cujo rendimento mensal ultrapassa em mais de 50 vezes o parâmetro oficial.
A declaração, vista como desconectada da realidade econômica baiana, reforça críticas de opositores, que acusam Jerônimo de tentar adotar um discurso popular sem corresponder ao perfil socioeconômico que ele próprio reivindica. A fala ocorre em um momento em que o governo enfrenta pressão por resultados, obras atrasadas e aumento do descontentamento público expresso nas redes sociais.
Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre transparência, empatia e distanciamento entre representantes políticos e a população que dizem representar.
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