Economia
Estado da Bahia corre risco de "falência" por causa de dívida bilionária de empréstimos feitos por Jerônimo Rodrigues
Apenas nos dois primeiros anos de mandato, Jerônimo já ultrapassou os ex-governadores Jacques Wagner e Rui Costa no número de empréstimos realizados, consolidando sua gestão como a que mais recorreu a operações de crédito desde a redemocratização

A Bahia pode estar caminhando para uma situação de estrangulamento fiscal sem precedentes. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) encaminhou, nesta terça-feira (25), à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a solicitação de seu 22º empréstimo financeiro, elevando a soma total das operações de crédito contratadas por sua gestão para aproximadamente R$ 26 bilhões. O novo pedido reacendeu o alerta entre parlamentares, especialistas e setores da sociedade civil quanto ao risco de o estado se aproximar de um cenário de “quebra” financeira.
Apenas nos dois primeiros anos de mandato, Jerônimo já ultrapassou os ex-governadores Jacques Wagner e Rui Costa no número de empréstimos realizados, consolidando sua gestão como a que mais recorreu a operações de crédito desde a redemocratização.
Na manhã desta quarta-feira (26), ao comentar a nova demanda de financiamento, Jerônimo justificou que os recursos seriam destinados a investimentos estruturantes. Ele afirmou também que, durante seis anos do governo Rui Costa, a Bahia teria enfrentado dificuldades para contratar empréstimos, o que, segundo ele, teria represado parte das necessidades atuais.
Apesar da escalada de endividamento, o estado enfrenta graves deficiências em áreas essenciais, como saúde e segurança pública. A população convive com hospitais superlotados, unidades sem insumos e aumento de ocorrências violentas, enquanto obras e investimentos anunciados não avançam na velocidade esperada.
Economistas e analistas de contas públicas alertam que o crescente volume de empréstimos, somado ao cenário de baixa capacidade de investimento próprio, pode comprometer a sustentabilidade fiscal da Bahia nos próximos anos. Há o temor de que o estado perca margem para custear despesas básicas, sendo empurrado para um quadro de fragilidade semelhante ao vivido por outras unidades federativas que enfrentaram crise profunda após sucessivos endividamentos.
Com o novo pedido, a discussão na ALBA deve ganhar intensidade, especialmente diante das críticas de deputados da oposição, que acusam o governo de promover um endividamento “irresponsável” sem apresentar resultados compatíveis com o volume de recursos captados. Já aliados do governo argumentam que os empréstimos são necessários para manter obras e programas estratégicos.
Enquanto o debate avança, o fato concreto é que a Bahia acumula uma dívida bilionária histórica, e o futuro fiscal do estado dependerá não apenas da aprovação dos novos créditos, mas da capacidade do governo de transformar esses recursos em entregas reais para a população.
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