Economia
Crise cambial aprofunda drama social e salário mínimo venezuelano já equivale a R$ 3 por mês
Enquanto no cenário internacional a disputa política sobre a situação venezuelana se intensifica, o cotidiano dentro do país segue marcado por incertezas e privações

A Venezuela enfrenta, mais uma vez, um agravamento de sua já prolongada crise econômica. Em meio ao colapso cambial e à estagnação salarial, há venezuelanos vivendo com o equivalente a R$ 3 por mês, valor correspondente ao salário mínimo oficial — congelado desde março de 2022. Mesmo longe de garantir necessidades básicas, o mínimo permanece em 130 bolívares, mas perdeu ainda mais poder de compra nas últimas semanas.
O bolívar, historicamente fragilizado, vive um novo ciclo de desvalorização, pressionado pela falta de reservas internacionais, pela instabilidade política e pela dolarização informal do país, que se consolidou como referência de preços no comércio. Somente em novembro, a moeda venezuelana desvalorizou 8,8% frente ao dólar. Desde janeiro, a queda acumulada chega a 78,8%, segundo dados do Banco Central da Venezuela.
A moeda americana, que iniciou o ano cotada a 52,02 bolívares, está 372,2% mais cara ao longo de 2025 — um movimento que aprofunda o fosso entre os salários pagos pelo governo e o custo real de sobrevivência. Hoje, o dólar domina praticamente todos os setores da economia venezuelana, dificultando ainda mais a vida de quem recebe em bolívares.
Enquanto no cenário internacional a disputa política sobre a situação venezuelana se intensifica, o cotidiano dentro do país segue marcado por incertezas e privações. Para milhões de venezuelanos, a crise cambial não é apenas um índice do Banco Central — é o cálculo diário que determina se será possível comprar comida para a semana ou se será necessário cortar ainda mais do que já está reduzido.
Com preços atrelados ao dólar e renda estagnada há quase três anos, famílias relatam depender de remessas do exterior, doações ou trabalhos informais para sobreviver. Em meio à deterioração contínua do bolívar e sem perspectiva de reajuste salarial, a sobrevivência se torna o principal desafio em um país onde o dinheiro oficial já não compra o suficiente sequer para garantir dignidade.
Matérias relacionadas

Economia · Piraí do Norte
TCM aponta falhas na gestão de recursos públicos e multa prefeito de Piraí do Norte por contas de 2025

Economia · Gandu
Aposta feita em Gandu acerta quina da Mega-Sena e fatura mais de R$ 73 mil

Economia
Lula promete acabar com bets após ele mesmo regulamentar mercado e seu governo arrecadar bilhões com setor

Economia · Teolândia
