O clima político dentro da base governista da Bahia já não é dos mais amistosos e começa a evidenciar um possível racha entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-governador e atual ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Nos bastidores e, agora, também em declarações públicas, o ambiente é de disputa por protagonismo e controle do futuro político do grupo.
Em entrevistas recentes, Jerônimo Rodrigues fez questão de se afirmar como líder do grupo político que governa o estado, ressaltando que caberá a ele conduzir o processo de sucessão da base governista para a disputa eleitoral deste ano. A fala foi interpretada como um movimento calculado, em meio a especulações que voltaram a circular nos últimos dias apontando Rui Costa como possível nome para substituir Jerônimo na corrida pelo Palácio de Ondina.
Os comentários ganharam força, sobretudo, em razão dos altos índices de rejeição enfrentados atualmente pelo governador, segundo avaliações internas e levantamentos de opinião que circulam entre aliados. Diante desse cenário, a possibilidade de Rui Costa retornar ao centro do debate eleitoral passou a ser ventilada como alternativa para preservar o projeto político do PT na Bahia.
Segundo aliados próximos ao governador, ao se autointitular líder do grupo, Jerônimo Rodrigues teria enviado um recado direto ao ministro da Casa Civil. A mensagem, de acordo com essas fontes, é clara: o atual governador não está disposto a abrir mão do direito de disputar a reeleição e pretende exercer, sem intermediários, o comando do processo político da base governista.
Embora publicamente ambos mantenham o discurso de unidade, o tom das declarações e as movimentações de bastidores indicam um cenário de tensão crescente. O embate silencioso entre Jerônimo e Rui revela não apenas uma disputa interna, mas também a preocupação do grupo com a manutenção do poder em um ambiente político cada vez mais desafiador no estado.
Nos próximos meses, a condução desse impasse deverá ser decisiva para definir os rumos da sucessão estadual e o grau de coesão da base aliada. Até lá, o que antes era tratado apenas como especulação de bastidores passa a ganhar contornos públicos e reforça a percepção de que a relação entre governador e ex-governador atravessa um de seus momentos mais delicados.

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