A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Bahia, registrada nessa sexta-feira (23), terminou sem a declaração pública mais aguardada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT): o apoio explícito à sua reeleição em 2026. A ausência de um gesto político mais claro por parte do chefe do Executivo nacional reforçou o clima de indefinição dentro do Partido dos Trabalhadores sobre quem será o nome que enfrentará o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), nas urnas de outubro.
A visita de Lula ao estado era vista como estratégica pelo Palácio de Ondina. Aliados de Jerônimo apostavam que o presidente aproveitaria a agenda para selar, de forma pública, a continuidade do atual governador como candidato natural do grupo petista. No entanto, Lula evitou qualquer sinalização direta sobre o processo eleitoral, mantendo um silêncio que acabou ganhando peso político diante do cenário atual.
Nos últimos dias, ganharam força nos bastidores rumores de que Lula teria sinalizado, a interlocutores próximos, a possibilidade de substituir Jerônimo Rodrigues pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia, como candidato ao governo estadual. As especulações teriam provocado desconforto no atual governador, que reagiu publicamente na quinta-feira (22), durante uma agenda no município de Itapé, no sul do estado.
Visivelmente incomodado, Jerônimo adotou um tom mais duro ao tratar do assunto. “Eu não tenho dúvidas sobre o meu futuro”, afirmou, descartando qualquer possibilidade de outro nome do PT disputar o governo da Bahia. O governador também reforçou que, na sua avaliação, não existe plano alternativo dentro do partido para a sucessão estadual.
Apesar da declaração, o silêncio de Lula durante a visita dessa sexta-feira acabou sendo interpretado por lideranças políticas como um sinal de cautela — ou mesmo de abertura para rearranjos — por parte do presidente. A falta de um posicionamento claro mantém o ambiente de incerteza no PT baiano e alimenta especulações sobre a estratégia do partido para enfrentar ACM Neto, que aparece como principal adversário do grupo governista.
Com a aproximação do calendário eleitoral, a indefinição tende a aumentar a pressão interna sobre o presidente e sobre a direção nacional do PT. Até lá, o vácuo deixado pelo silêncio de Lula segue como um dos principais elementos do tabuleiro político na Bahia.

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