O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), entrou na mira de parlamentares que articulam a instalação de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o chamado “caso Master”. O nome do ex-governador da Bahia passou a ser citado nos bastidores do Congresso em razão de sua relação com o empresário Augusto Lima, sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e figura central nas discussões sobre o Banco Master.
A conexão entre Rui Costa e Augusto Lima remonta a 2018, quando o então senador Jaques Wagner comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante a gestão de Rui no governo estadual. Naquele período, Augusto Lima venceu a licitação para aquisição da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que administrava a antiga rede Cesta do Povo.
Após assumir a operação da empresa, o empresário estruturou o CredCesta, um cartão de crédito consignado voltado principalmente para servidores públicos, com taxas de juros abaixo da média de mercado. O produto ganhou escala e relevância regional, tornando-se, posteriormente, peça estratégica em sua movimentação empresarial.
Em 2020, Augusto Lima ingressou na sociedade do Banco Master, levando o CredCesta como ativo. A operação transformou o cartão consignado em um dos principais produtos do portfólio do banco, ampliando sua capilaridade e volume de negócios. A partir daí, as relações societárias e políticas envolvendo o grupo passaram a ser alvo de questionamentos por parte de parlamentares da oposição.
A eventual CPI do Banco Master pretende apurar possíveis irregularidades nas operações financeiras e societárias ligadas à instituição. No próximo dia 25 de fevereiro, está prevista a apreciação de requerimentos que pedem a convocação de Augusto Lima para prestar esclarecimentos ao Congresso. Também circula nos corredores de Brasília a possibilidade de convocação do próprio ministro Rui Costa, diante de sua proximidade política e institucional com os envolvidos.
Até o momento, não há acusações formais contra o chefe da Casa Civil. Aliados do governo sustentam que a relação com o empresário ocorreu no contexto de políticas de desenvolvimento econômico do Estado da Bahia e que os processos de desestatização e licitação seguiram os trâmites legais.
A possível CPI, no entanto, deve ampliar o embate político em Brasília, especialmente por envolver um ministro de primeira linha do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por ter ramificações que remontam à gestão petista na Bahia. O desdobramento dos requerimentos no dia 25 será decisivo para definir o grau de aprofundamento das investigações e o alcance político do caso.

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