O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, vai ampliar seus ataques ao STF mirando o impulsionamento da sua pré-candidatura à Presidência da República. Nos últimos dias, Zema ganhou projeção nacional ao protagonizar um embate direto com o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial, com o ministro Gilmar Mendes.
Zema chamou os ministros do STF de “casta dos intocáveis” e declarou que os magistrados “se julgam acima da lei”. Também defendeu o impeachment de “pelo menos dois” integrantes do Supremo - a prisão de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli - e mudanças nos critérios de escolha, como a adoção de uma lista com nomes.
“É uma Corte (o STF) que hoje não tem moral nenhuma para julgar nada. Não vejo Moraes e Toffoli com moral nenhuma para dar nenhuma decisão. São pessoas que estão ocupando cargo e seu tempo com interesse pessoal. Não são servidores públicos”, declarou ele.
Ao longo da semana, o governador intensificou a ofensiva e publicou pelo menos 14 vídeos com críticas ao STF, reunindo trechos de entrevistas, discursos e conteúdos produzidos com uso de inteligência artificial. Em uma das peças, um fantoche de Toffoli pede ao de Gilmar que suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado.
Decano da Corte, Gilmar Mendes saiu em defesa do STF e passou a rebater as declarações do governador. O ministro chegou a encaminhar ao colega Alexandre de Moraes uma solicitação para que Romeu Zema seja investigado no inquérito das fake news. Mendes afirmou que a gestão do mineiro “sobreviveu” graças a decisões provisórias do próprio tribunal.
“É chocante ver um governador que levou o Estado a uma debacle econômica sobreviver graças a liminares dadas por este tribunal e depois atacar a Corte”, disse.
Nas críticas ao governador, Gilmar Mendes acabou gerando nova controvérsia ao fazer uma comparação envolvendo a orientação sexual de Zema.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Ou se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão. É isso que precisa ser avaliado”, afirmou o decano do Supremo.
Após a repercussão negativa, o ministro recuou e pediu desculpas publicamente.
“Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro”, escreveu o ministro em publicação no X (ex-Twitter).
O confronto acabou ampliando a visibilidade nacional de Zema em um momento de desgaste da imagem do STF. Pesquisa Datafolha divulgada recentemente aponta que 75% dos brasileiros dizem que os ministros têm poder demais, mas 71% consideram que o tribunal é essencial para a proteção da democracia. O levantamento também indica que 75% avaliam que a confiança no STF caiu em relação ao passado.

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