A declaração do presidente do Partido dos Trabalhadores em São Paulo (PT-SP), Kiko Celeguim, feita nessa quinta-feira (08), durante atos realizados por militantes petistas, provocou repercussão no meio político ao defender publicamente o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Para Celeguim, apoiar Maduro seria o mesmo que defender a vontade do povo da Venezuela.
Durante sua fala, o dirigente petista afirmou que Maduro foi escolhido pela população venezuelana e sustentou que o líder chavista teria sido “sequestrado” pelos Estados Unidos. Segundo ele, a atuação norte-americana representaria uma violação da soberania do país vizinho.
A declaração, no entanto, contraria inclusive posicionamentos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal liderança do partido. Em 2024, Lula não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas que mantiveram Maduro no poder, diante de denúncias de falta de transparência no processo eleitoral.
À época, o presidente brasileiro cobrou a divulgação das atas das seções eleitorais e afirmou que Maduro precisaria “arcar com as consequências” caso não houvesse esclarecimentos. Lula também declarou não aceitar nem a vitória do governo nem a da oposição sem provas concretas. “Eu não aceito nem a vitória dele e nem a da oposição. Eu acho que tem um negócio, a oposição fala que ganhou, ele fala que ganhou, mas você não tem prova. Então, nós estamos exigindo a prova”, afirmou o presidente. Em outro momento, Lula destacou que defendia a convocação de novas eleições na Venezuela.
Antes das críticas mais duras, o presidente brasileiro chegou a afirmar que, inicialmente, não havia observado nada de anormal no pleito, apesar das suspeitas de fraude levantadas por setores da comunidade internacional.
A fala de Kiko Celeguim reacende o debate sobre a posição de setores do PT em relação ao regime venezuelano e evidencia divergências internas entre lideranças do partido sobre o reconhecimento da legitimidade do governo de Nicolás Maduro.

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