A morte de mais um policial militar na Bahia voltou a expor a fragilidade da política de segurança pública adotada pelo governo Jerônimo Rodrigues (PT), no último ano de seu mandato. O cabo da Polícia Militar Glauber Rosa dos Santos, de 42 anos, morreu após ser atingido por um tiro na cabeça durante um confronto com um grupo de criminosos, na madrugada desta terça-feira (3), no Vale das Pedrinhas, região que integra o Complexo de Amaralina, em Salvador.
Glauber chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por procedimento cirúrgico, mas não resistiu aos ferimentos. Lotado no 30º Batalhão da Polícia Militar, no Nordeste de Amaralina, o policial integrava o efetivo da corporação desde 2009 e era considerado um profissional experiente pelos colegas de farda.
Natural de Senhor do Bonfim, no norte do estado, Glauber deixa dois filhos, de 3 e 8 anos. O filho mais velho havia comemorado aniversário na véspera da tragédia, na segunda-feira (2), o que aumentou a comoção entre familiares, amigos e membros da corporação.
A morte do PM ocorre em um contexto de sucessivos episódios de violência envolvendo agentes de segurança e civis em diferentes regiões da Bahia. Desde que assumiu o governo, em janeiro de 2023, Jerônimo Rodrigues enfrenta críticas crescentes pela condução da área, considerada por especialistas e pela própria tropa como ineficiente diante do avanço do crime organizado, especialmente em áreas urbanas dominadas por facções.
Ainda durante a campanha eleitoral, o então candidato petista sinalizou qual seria sua linha de atuação ao afirmar que buscaria “trocar armas e violência pelo carinho e pelo amor”, declaração que passou a ser usada por opositores como símbolo de uma postura considerada leniente diante da criminalidade. Já no exercício do cargo, Jerônimo reforçou o discurso ao defender que a polícia priorizasse a captura dos suspeitos, evitando confrontos letais. Em uma de suas falas mais controversas, afirmou que “sua polícia” não se tornaria uma “polícia matadora”.
Para críticos do governo, o discurso não foi acompanhado de investimentos estruturais, inteligência policial ou ações eficazes de enfrentamento às organizações criminosas. O resultado, segundo essa avaliação, tem sido o aumento da exposição dos próprios policiais ao risco, além da sensação de insegurança que se espalha pela população.
No último ano de mandato, a morte de Glauber Rosa dos Santos se soma a uma lista de agentes de segurança tombados em serviço, ampliando a pressão política sobre o governador e colocando a segurança pública no centro do debate eleitoral e institucional na Bahia. Enquanto isso, famílias seguem enlutadas e a tropa cobra respostas mais concretas do Estado para enfrentar a violência que avança nas ruas.

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