O Ministério da Educação (MEC) confirmou, nesta terça-feira (17), a anulação de três questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 após a suspeita de vazamento de itens que teriam circulado nas redes sociais dias antes da aplicação da prova. A decisão veio após a repercussão do caso envolvendo o estudante e influenciador digital Edcley Teixeira, que publicou vídeos resolvendo questões praticamente idênticas às aplicadas no último domingo (16).
Cinco dias antes da prova, Edcley divulgou em seu perfil conteúdos em que aparece corrigindo itens extremamente semelhantes aos que caíram no exame. Em suas publicações, ele afirma participar dos pré-testes realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — autarquia vinculada ao MEC responsável pela elaboração do Enem — e que consegue lembrar detalhes das questões testadas. Com esse suposto conhecimento antecipado, ele comercializa aulas on-line e cursos preparatórios voltados para candidatos do exame.
A revelação causou forte repercussão nas redes e entre especialistas em educação, que apontam risco de quebra da isonomia entre os concorrentes e possível violação de sigilo das questões.
PF é acionada e MEC confirma investigação
Em nota oficial, o MEC informou que acionou a Polícia Federal para apurar eventual crime relacionado ao vazamento de itens do exame, bem como a autoria e a forma como as informações foram divulgadas. O órgão destacou que a segurança do processo de elaboração e aplicação do Enem é prioridade e que qualquer indício de fraude será investigado com rigor.
Ainda segundo o comunicado, a equipe técnica da comissão responsável pela construção das provas analisou detalhadamente as circunstâncias do caso. Com base em informações sobre a montagem do teste deste ano, decidiu pela anulação de três itens considerados comprometidos.
O Inep, até o momento, não detalhou quais questões foram anuladas, mas afirmou que os ajustes não devem prejudicar o desempenho geral dos candidatos, já que o exame utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), que permite recalibração sem impacto direto na nota final.
Influenciador diz ter tido acesso antecipado também em 2023 e 2024
As investigações podem ganhar novos desdobramentos após Edcley Teixeira declarar em suas postagens que também teve contato prévio com questões do Enem nos anos de 2023 e 2024. Segundo ele, itens testados em pré-testes teriam sido posteriormente utilizados nas provas oficiais, e parte desse conteúdo foi trabalhada em seu curso preparatório.
As declarações colocam em xeque a cadeia de segurança do banco de itens do Inep, um dos pilares da integridade do Enem, e levantam a possibilidade de falhas sistemáticas na proteção do conteúdo sigiloso.
Repercussão e cobrança por transparência
A suspeita de vazamento ocorre em um momento em que a credibilidade do Enem — principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil — é constantemente posta à prova. Especialistas e entidades educacionais reforçam que a anulação de itens, embora necessária, não elimina a urgência de uma investigação ampla sobre possíveis fragilidades na gestão do banco de questões.
Enquanto as apurações seguem, o MEC reafirma que mantém o compromisso de garantir a lisura do processo. A Polícia Federal já iniciou diligências preliminares e deve ouvir envolvidos, além de examinar materiais publicados na internet.

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