O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um discurso de conciliação com o Congresso Nacional e contrariou parte de sua base de apoiadores ao se declarar “muito grato” ao Legislativo pela aprovação de projetos considerados estratégicos para o governo. A fala foi registrada nessa segunda-feira (15), durante a inauguração da nova sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília.
A declaração ocorreu um dia após manifestações organizadas por grupos de esquerda em diversas capitais do país, que tiveram como principal alvo o Congresso Nacional. Em alguns atos, senadores e deputados chegaram a ser rotulados como “inimigos do povo”, em protesto contra pautas em tramitação, especialmente o projeto de lei da Dosimetria Penal e outras matérias consideradas impopulares pelos manifestantes.
Apesar do clima de tensionamento entre militantes governistas e o Parlamento, Lula fez questão de reconhecer o papel dos congressistas na aprovação de propostas centrais de sua agenda. Entre os exemplos citados pelo presidente estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a Reforma Tributária, considerada uma das principais conquistas institucionais do atual mandato.
Durante o discurso, Lula ressaltou que a governabilidade exige diálogo amplo, inclusive com forças políticas que não estiveram ao seu lado nas eleições de 2022. “Nós não tivemos um projeto importante que não foi votado e aprovado, com a contribuição do Congresso, dos partidos políticos, daqueles que votaram em mim, dos que não votaram. Porque a arte de governar é a arte de disputar uma eleição”, afirmou.
Na sequência, o presidente recorreu a uma metáfora esportiva para diferenciar o período eleitoral do exercício do poder. “Eleição é como num jogo de futebol. Você dá canelada para cá, agrada para lá. Terminou a eleição, nós vamos tratar de fazer com que as coisas deem certo nesse país”, completou.
As declarações reforçam a estratégia do Palácio do Planalto de manter uma relação pragmática com o Congresso, mesmo diante de críticas vindas de setores da própria base social do governo. O gesto de afago ao Legislativo acontece em um momento sensível, marcado por manifestações contra a atuação parlamentar e por debates acalorados sobre projetos que dividem opiniões dentro e fora do campo governista.

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