Durante entrevista concedida a uma emissora de TV em Salvador, nesta sexta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar o cenário jurídico envolvendo o ex-mandatário. Lula comparou Bolsonaro a um “cachorro louco” e afirmou que a eventual liberdade dele poderia representar um risco imediato à ordem pública.
“Você acha que, se você tiver um cachorro louco preso e soltar ele, ele vai sair manso? Ele vai tentar morder alguém”, declarou o presidente, ao justificar sua posição sobre a manutenção da prisão de Bolsonaro.
Na avaliação de Lula, o ex-presidente não pode ser tratado como uma figura política comum diante da gravidade das acusações que pesam contra ele. O petista citou a condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta a Bolsonaro, baseada em investigações que apontaram a existência de planos de assassinato contra o próprio Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. As informações teriam sido reveladas por meio de delações premiadas de antigos aliados do ex-chefe do Executivo.
Segundo Lula, os fatos expostos pelas investigações demonstram que Bolsonaro “não é um adversário político tradicional”, mas alguém que teria atuado fora dos limites democráticos e institucionais. Para o presidente, esse histórico justificaria a preocupação com a possibilidade de o ex-mandatário voltar a circular livremente.
Apesar do tom duro, Lula também afirmou que não descarta, em algum momento no futuro, a possibilidade de uma anistia ao ex-presidente. O chefe do Palácio do Planalto fez uma comparação histórica ao lembrar do período da ditadura militar. “Algum dia pode ter anistia, como teve em 1964, só que 15 anos depois”, afirmou.

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