Um levantamento interno encomendado pela cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) acendeu um sinal de alerta sobre o futuro político do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. De acordo com dados do estudo, realizado no início deste mês de janeiro, 56% dos eleitores baianos rejeitam a reeleição do petista, número considerado elevado e preocupante por dirigentes do partido.
A pesquisa, segundo informações de bastidores, foi solicitada para embasar a definição da chapa governista para as eleições de outubro. O diagnóstico, no entanto, trouxe um cenário mais adverso do que o esperado. Avaliações internas apontam que, para uma parcela significativa do eleitorado, a rejeição ao atual governador é vista como quase irreversível, o que tem gerado intensos debates dentro do PT.
Mesmo diante do quadro desfavorável, a orientação predominante no partido é de manter as articulações políticas em torno de Jerônimo Rodrigues, ao menos neste primeiro momento. A estratégia seria trabalhar para reduzir os índices de rejeição e preservar a candidatura do governador, evitando uma troca abrupta que possa fragilizar ainda mais o projeto petista no estado.
O levantamento também identificou os principais fatores que estariam contribuindo para o desgaste da gestão estadual. Segurança pública, saúde e mobilidade aparecem como os pontos mais sensíveis da administração, áreas que concentram as maiores críticas da população e que, segundo dirigentes do partido, precisam de respostas rápidas e visíveis.
A situação se agrava quando o recorte da pesquisa é direcionado exclusivamente para Salvador. Na capital baiana, os números indicam um cenário amplamente desfavorável ao governador. O ex-prefeito ACM Neto aparece com 74% da preferência do eleitorado, enquanto Jerônimo Rodrigues soma apenas 26%, evidenciando uma larga desvantagem eleitoral.
Diante desse contexto, o PT teria estabelecido o mês de março como prazo final para que Jerônimo apresente sinais concretos de recuperação política e condições mínimas de disputar a reeleição. Caso os números não avancem de forma consistente, a alternativa considerada nos bastidores é a substituição do atual governador pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, nome visto como mais competitivo dentro do grupo governista.
Oficialmente, o partido evita comentar os detalhes do levantamento e trata o tema com cautela. Nos bastidores, porém, o clima é de apreensão, e as próximas semanas serão decisivas para definir os rumos da sucessão estadual na Bahia.

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