Em entrevista concedida nesta sexta-feira (06), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), revelou detalhes até então inéditos sobre as articulações feitas pelo Palácio de Ondina para manter o senador Ângelo Coronel (PSD) na base governista e, ao mesmo tempo, abrir caminho para o ex-governador e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, na disputa por uma vaga ao Senado em 2026.
Segundo Jerônimo, na tentativa de evitar o rompimento com Coronel, foram apresentadas ao senador duas alternativas: aceitar um ministério no governo do presidente Lula (PT) ou assumir uma secretaria estratégica no governo estadual. Em ambas as hipóteses, o objetivo era claro — retirar Ângelo Coronel da corrida pela reeleição ao Senado.
Ainda de acordo com o governador, diante da resistência do senador, houve uma terceira proposta: que Coronel indicasse o próprio filho, o deputado federal Diego Coronel (PSD), para ocupar o espaço político, mantendo o PSD na aliança e viabilizando o projeto do PT para a chapa majoritária.
A declaração, no entanto, acabou produzindo efeito contrário ao desejado. Ao tornar públicas as negociações, Jerônimo expôs não apenas o esgotamento do diálogo com um dos principais aliados do governo, como também revelou o grau de prioridade dado ao projeto político do PT, mesmo que isso implique no descarte de parceiros históricos.
Nos bastidores, a fala foi interpretada como um sinal claro de desespero político. Ângelo Coronel não é apenas um aliado periférico: foi peça-chave na construção da aliança que garantiu a vitória petista em 2022, ocupando papel central na sustentação política do governo Lula e da própria gestão estadual. A tentativa de convencê-lo a abrir mão do mandato, sem garantias efetivas de protagonismo futuro, evidenciou a dificuldade do PT em administrar ambições internas e preservar alianças externas.
O episódio também reforça a narrativa de que o partido prioriza projetos individuais de poder em detrimento da estabilidade da base aliada. Ao insistir na candidatura de Rui Costa ao Senado a qualquer custo, o PT corre o risco de aprofundar fissuras que podem se ampliar ao longo do tempo, sobretudo à medida que o calendário eleitoral se aproxima.
Com o rompimento já consolidado e a insatisfação de outros aliados latente, o governo Jerônimo Rodrigues entra em um período de instabilidade política, no qual a manutenção da governabilidade e da unidade da base se tornam desafios cada vez mais complexos. Até 2026, o custo dessa estratégia ainda é incerto — mas os sinais de desgaste já estão postos à mesa.

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