A cúpula do PT na Bahia já deixou claro ao governador Jerônimo Rodrigues que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá se empenhar em sua campanha eleitoral com a mesma intensidade observada em 2022. O recado, transmitido em conversas reservadas, tem dois motivos centrais e revela uma mudança estratégica do Palácio do Planalto com foco nas eleições deste ano.
O primeiro fator é a necessidade de Lula recuperar o próprio prestígio no Nordeste, região que historicamente sustenta o capital político do presidente, mas onde aliados avaliam que houve desgaste recente. O segundo — e considerado decisivo — é o entendimento de que a principal “galinha dos ovos de ouro” do petismo na Bahia atende pelo nome de Rui Costa.
Ex-governador do estado e atual ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa já teria assumido internamente que disputará uma vaga no Senado Federal. Para Lula e para o núcleo duro do PT, a eleição de quadros fortes para o Senado é hoje mais estratégica do que a manutenção de governos estaduais, inclusive em estados governados pelo partido.
Nos bastidores, a avaliação é pragmática: garantir maioria ou, ao menos, ampliar significativamente a bancada no Senado tornou-se prioridade absoluta. A Casa concentra atribuições decisivas para o futuro do governo, como a aprovação do procurador-geral da República, dos diretores do Banco Central e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de ser responsável por julgar eventuais processos de impeachment contra o presidente da República.
A preocupação do Planalto não é teórica. Lula ainda não conseguiu aprovar no Senado o nome de Jorge Messias para o STF, indicado para substituir o ministro Luís Roberto Barroso, justamente pela falta de apoio suficiente na Casa. Com a atual composição do Senado já considerada desfavorável, auxiliares do presidente avaliam que o cenário pode se tornar ainda mais hostil após as eleições, caso a oposição avance.
Do outro lado do tabuleiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também já entrou de vez na disputa pelo controle do Senado. Bolsonaro lançou nomes de peso para tentar formar maioria, como o filho Carlos Bolsonaro, que deve concorrer por Santa Catarina, e Michelle Bolsonaro, cotada para disputar uma vaga pelo Distrito Federal.
Diante desse cenário, Lula decidiu escalar figuras de alto peso político para a corrida ao Senado. Nos planos do presidente está a exoneração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para disputar uma vaga por São Paulo. Pelo mesmo estado, também é cogitada a candidatura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. No Paraná, Lula já teria pedido à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que entre na disputa pela Câmara Alta.
Na Bahia, a equação é direta: se Rui Costa é considerado o melhor quadro eleitoral do PT no estado, a tendência é que ele seja deslocado para a disputa pelo Senado, mesmo que isso reduza o engajamento nacional na campanha pela reeleição de Jerônimo Rodrigues.
O recado transmitido ao governador é claro e desconfortável: para Lula e para a cúpula petista, a prioridade não é o governo estadual, mas as cadeiras no Senado. A Bahia, apesar de estratégica, entra nesse cálculo como peça de uma disputa nacional mais ampla, na qual o controle do Senado é visto como decisivo para a governabilidade e para o futuro político do presidente.

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